Palavra do Presidente

Opinião: O varejo vai sentir o aperto da economia em 2026

9 de janeiro de 2026

Eu não tenho dúvida de que 2026 será um ano bastante desafiador para a economia brasileira e, especialmente, para o varejo. Quando o crescimento perde fôlego, os juros seguem elevados e o consumidor fica mais cauteloso, o comércio é um dos primeiros a sentir. Isso acontece porque dependemos diretamente do consumo das famílias, que responde por boa parte do PIB do país. Quando a renda aperta, o movimento nas lojas cai quase que imediatamente.

O que eu observo no dia a dia é um consumidor muito mais cuidadoso. As pessoas estão endividadas, o crédito continua caro e ninguém quer assumir novas parcelas sem pensar duas vezes. Vejo claramente que o consumidor prioriza o básico, adia compras maiores e compara muito mais preços. Promoção, desconto e condição de pagamento passaram a pesar ainda mais na decisão de compra. Para o varejista, isso significa menos faturamento e margens cada vez mais pressionadas.

Juros

Na minha avaliação, os juros altos são hoje um dos principais entraves para o desempenho do varejo. Eles desestimulam o consumo parcelado, que é fundamental para muitos segmentos, e também encarecem a operação das empresas. O capital de giro ficou mais caro, o acesso ao crédito está mais restrito e os custos não param de subir. Energia, logística e mão de obra continuam pesando no caixa, enquanto a possibilidade de repassar preços ao consumidor é cada vez menor.

Efeitos por segmentos

Também acredito que os impactos não serão iguais para todos. Alguns segmentos tendem a mostrar mais resistência. Supermercados, atacarejos e farmácias continuam vendendo porque lidam com itens essenciais. Mas mesmo nesses setores, percebo mudanças claras no comportamento do consumidor, com troca por marcas mais baratas e maior busca por promoções. Já setores como eletrodomésticos, móveis, materiais de construção e outros bens de maior valor agregado devem sentir com mais força a retração da demanda.

No Sindilojas-SP, trabalhamos com projeções que reforçam esse cenário. Depois de um crescimento estimado de 5% no faturamento do varejo paulistano em 2025, a expectativa para 2026 é de um avanço que pode ser até a metade disso. Esse dado deixa claro que o ambiente será mais apertado e exigirá muito mais atenção à gestão do negócio.

Necessidade de gestão

Acredito firmemente que, em um ano como 2026, gestão eficiente deixa de ser diferencial e passa a ser questão de sobrevivência. Controlar estoques, evitar excessos e ajustar o sortimento ao novo perfil de consumo é essencial. Vejo como fundamental negociar melhor com fornecedores, buscar prazos mais longos e condições comerciais que ajudem a preservar o fluxo de caixa.

Controle de custos

Também defendo que o controle de custos precisa ser permanente, mas feito com critério. É possível ganhar eficiência revisando processos, investindo em tecnologia e melhorando a logística, sem prejudicar a experiência do cliente. Além disso, acredito muito no uso de dados para entender melhor o consumidor, direcionar promoções, fortalecer programas de fidelização e aproveitar melhor as datas especiais, que continuam sendo momentos importantes para impulsionar as vendas.

Assim, é possível afirmar que 2026 será um ano de forte pressão para o varejo, mas também de aprendizado. Quem estiver bem organizado, souber se adaptar e entender esse novo consumidor — mais digital, mais cauteloso e mais exigente — terá mais chances não apenas de atravessar esse período difícil, mas de sair dele mais forte e mais preparado para o futuro.

Aldo Macri
Presidente do Sindilojas-SP

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