Medicina Ocupacional

Boreout: o esgotamento causado pelo tédio no trabalho

12 de janeiro de 2026

*Fonte: Diário do Comércio

Boreout revela como a ausência de estímulos, propósito e desafios também pode levar ao adoecimento mental nas empresas.

A síndrome do esgotamento profissional, popularmente conhecida como Burnout, é tema recorrente no ambiente corporativo e, em geral, está ligada à sobrecarga de trabalho. Nos últimos anos, entretanto, outra condição passou a ganhar visibilidade: o Boreout. Considerada o oposto do Burnout, essa síndrome provoca exaustão mental e emocional não pelo excesso, mas pela escassez de estímulos profissionais.

Mais do que um simples cansaço, o Boreout se manifesta por um tédio intenso e contínuo, no qual o trabalhador percebe que suas competências não estão sendo aproveitadas. “Trata-se de um ‘estresse por falta de demanda’, em que a ausência de propósito, desafios ou atividades significativas gera sentimentos de inutilidade, apatia e um vazio existencial que afeta a saúde mental”, explica a psicóloga Rachel Sette.

O conceito surgiu em 2007, a partir das observações dos consultores suíços Peter Werder e Philippe Rothlin, que identificaram que o adoecimento no trabalho não ocorre apenas pelo excesso de tarefas, mas também pela carência delas.

Definição

A palavra Boreout deriva do termo inglês boredom, que significa tédio. No livro Diagnosis Boreout, Werder e Rothlin descrevem como o tédio nas organizações passou a ser entendido como um fenômeno patológico, desconstruindo a ideia de que ter pouco trabalho no escritório seria uma situação ideal para o profissional, conforme destaca Rachel.

Embora Burnout e Boreout tenham como consequência o esgotamento, suas origens são opostas. De acordo com a psicóloga, enquanto o Burnout resulta de uma carga excessiva de trabalho e pressão constante, o Boreout decorre do vazio profissional e da ausência de desafios intelectuais. “No Burnout, a pessoa é consumida pela agitação; no Boreout, pela monotonia e pela falta de perspectivas”, afirma.

Para o professor Eduardo Bomfim Machado, docente de Gestão do UniArnaldo – Centro Universitário de Belo Horizonte, o Boreout representa uma desconexão total do colaborador com sua função, com a empresa ou com a própria carreira. Essa condição pode se manifestar por diversos comportamentos e sensações e tende a ser mais frequente entre profissionais da Geração Z.

No cotidiano

Os sinais do Boreout aparecem de diferentes maneiras, incluindo tédio constante, falta de motivação, queda de produtividade, irritabilidade, dores de cabeça e dores musculares, entre outros sintomas.

Segundo Rachel, as causas da síndrome costumam estar ligadas a fatores estruturais, como a subutilização qualitativa — quando as tarefas são simples demais para a qualificação técnica do profissional —, a ausência de variedade nas atividades e problemas de gestão, como líderes centralizadores que não delegam responsabilidades. Também podem estar relacionadas a processos excessivamente burocráticos, nos quais o funcionário não consegue perceber o impacto de seu trabalho. “Outro fator recorrente é o isolamento político dentro da organização, quando o colaborador é intencionalmente deixado sem atribuições, caracterizando assédio moral”, explica.

A psicóloga ressalta ainda o aumento de ações judiciais envolvendo casos de Boreout na Justiça do Trabalho, especialmente na Europa, onde já há condenações por “assédio por ociosidade”. “Um exemplo marcante foi o de um gerente de uma multinacional francesa que, após a perda de um contrato relevante, foi afastado de suas funções e acabou desenvolvendo depressão grave em razão da inatividade imposta”, relata.

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Cenário no Brasil

No Brasil, segundo Rachel, também já existem processos relacionados à chamada “inação laboral”, situação em que o empregador, de forma deliberada, priva o funcionário de suas tarefas e o mantém ocioso durante a jornada, prática alinhada aos critérios que caracterizam o Boreout.

Como resposta a esse risco, empresas mais inovadoras têm adotado estratégias como o Job Rotation — o rodízio de funções — e programas de inovação aberta, permitindo que os colaboradores dediquem parte do tempo a projetos próprios. Essas iniciativas ajudam a substituir o tédio por criatividade e maior engajamento, destaca a psicóloga.

O que fazer?

Enfrentar um quadro de Boreout pode ser um desafio para as lideranças, mas, de acordo com Rachel, a escuta ativa é fundamental para compreender os interesses do colaborador e promover a valorização do cargo, atribuindo responsabilidades que tenham significado.

A psicóloga também recomenda a realização de auditorias periódicas da carga de trabalho para identificar profissionais subutilizados, além de incentivar a mobilidade interna, possibilitando a mudança de área quando houver sensação de estagnação. “Criar um ambiente de segurança psicológica é essencial para que o funcionário possa sinalizar a falta de desafios sem medo de ser rotulado como descartável ou sofrer retaliações”, afirma.

Machado acrescenta que indicadores como absenteísmo elevado, atestados médicos frequentes, demora excessiva nas respostas, baixa participação em projetos, reuniões ou sugestões podem sinalizar tanto Burnout quanto Boreout. Para ele, a adoção de rotinas de diagnóstico e de estratégias de recuperação do profissional é indispensável para a prevenção dessas síndromes. Na sua avaliação, feedbacks estruturados, avaliações de desempenho e sistemas mais adequados de reconhecimento, como premiações e confraternizações, também desempenham papel fundamental.

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