Modernização da jornada de trabalho: Sindilojas-SP adere a Manifesto
O debate sobre a modernização da jornada de trabalho é legítimo, necessário e deve ser conduzido com responsabilidade. A busca por melhores condições de vida para os trabalhadores é um objetivo central, mas precisa caminhar lado a lado com a análise dos impactos sobre a competitividade das empresas, a produtividade da economia e a preservação do emprego formal no Brasil.
É nesse contexto que o Sindilojas-SP, como uma das entidades signatárias de manifesto conjunto do setor produtivo, reforça a importância de que qualquer mudança seja construída com base em critérios técnicos e visão de longo prazo.
Relevância do mercado formal
Do ponto de vista econômico, o emprego formal é um patrimônio social que precisa ser protegido. Dados do IBGE indicam que o Brasil contava, em 2025, com cerca de 38,9 milhões de trabalhadores com carteira assinada no setor privado. Já o Ministério do Trabalho e Emprego registrou 48,45 milhões de vínculos celetistas no mesmo período. Embora baseados em metodologias distintas, ambos os números evidenciam a relevância do mercado formal, que deve estar no centro dessa discussão.
Ao mesmo tempo, empresas de diferentes setores têm relatado dificuldades crescentes para preencher vagas e reter profissionais, enquanto a escassez de mão de obra qualificada se mantém como um desafio recorrente.
Construção de soluções
Modernizar a jornada de trabalho não deve significar uma escolha entre bem-estar e desenvolvimento econômico. O desafio está em construir soluções que permitam melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores sem comprometer a geração de empregos formais ou aumentar a instabilidade no mercado de trabalho. E isso passa, necessariamente, pela forma como as mudanças são implementadas.
Estudos como o Mapa do Trabalho Industrial 2025-2027, do SENAI em parceria com a Confederação Nacional da Indústria, apontam a necessidade de qualificar cerca de 14 milhões de trabalhadores nos próximos anos. Paralelamente, setores como o varejo supermercadista e o transporte já enfrentam volumes expressivos de vagas não preenchidas, o que impacta diretamente a operação das empresas e a prestação de serviços à população.
Produtividade
A experiência internacional mostra que a redução da jornada de trabalho tende a ser sustentável quando acompanhada por ganhos consistentes de produtividade. Quando a produção por hora trabalhada aumenta, torna-se possível reduzir a carga horária sem comprometer renda, emprego ou preços. Sem esse equilíbrio, no entanto, há riscos concretos de aumento de custos, redução de contratações e repasse de preços ao consumidor.
Pilares
Diante desse cenário, o Sindilojas-SP — ao lado de outras entidades representativas — defende que o avanço desse debate esteja ancorado em quatro pilares fundamentais:
- Preservação do emprego formal, com redução de incentivos à informalidade, que ainda atinge cerca de 40% da população economicamente ativa;
- Aumento da produtividade, por meio de qualificação profissional, inovação e adoção de tecnologias;
- Respeito às diferenças setoriais, com valorização da negociação coletiva como instrumento de adaptação às realidades de cada atividade econômica;
- Aprofundamento técnico do debate, com diálogo estruturado entre trabalhadores, empregadores e poder público.
O ordenamento jurídico brasileiro já dispõe de mecanismos que permitem ajustes por meio da negociação coletiva, especialmente após a modernização das relações de trabalho nos últimos anos. O desafio agora não é apenas alterar regras, mas garantir que sua implementação seja equilibrada e adaptada à diversidade do tecido produtivo nacional.
Cautela e responsabilidade
O Sindilojas-SP reforça que mudanças estruturais dessa magnitude precisam ser conduzidas com cautela e responsabilidade. Decisões tomadas sem a devida análise podem gerar efeitos indesejados, como aumento da informalidade, pressão sobre os custos das empresas e impacto nos preços de bens e serviços essenciais.
Há também o risco de se criar um paradoxo: ampliar formalmente direitos, mas, na prática, reduzir o poder de compra da população e a capacidade de geração de empregos. Proteger o trabalhador passa, necessariamente, por evitar esse tipo de distorção.
Reflexão e futuro
Como signatário do manifesto, o Sindilojas-SP defende que o debate avance com maturidade, baseado em dados concretos, diálogo qualificado e busca por consensos. A entidade entende que esse é um tema que exige reflexão aprofundada e, por isso, deve ser conduzido em ambiente técnico, distante de pressões conjunturais ou eleitorais.
A construção de um futuro do trabalho mais equilibrado, produtivo e justo depende de decisões bem fundamentadas. E é nesse sentido que o Sindilojas-SP seguirá atuando: contribuindo para um debate responsável, que concilie desenvolvimento econômico, geração de empregos e qualidade de vida para os trabalhadores brasileiros.
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Empresário: O Sindilojas-SP faz parte do Sistema Confederativo do Comércio, lutando pela defesa do setor em conjunto com a Confederação Nacional do Comércio e a FecomercioSP.
