Queda nas vendas do comércio paulista em julho é quase o dobro da nacional
Em julho passado, o volume de vendas do comércio nacional recuou 0,8% em relação ao mês anterior, considerando o ajuste sazonal. O resultado negativo interrompeu dois avanços consecutivos. Já no Estado de São Paulo, a queda foi quase o dobro: o volume de vendas recuou 1,5% em relação a junho, mais que compensando a variação positiva de 0,9% registrada naquele mês. Vale lembrar que o comércio restrito considera oito atividades agrupadas do varejo e não inclui por exemplo os veículos, motos, partes e peças e material de construção, contemplados no comércio varejista ampliado.
Taxa de crescimento do volume de vendas do comércio restrito do Estado de São Paulo – Mês contra mês anterior, com ajuste sazonal (%)

Na comparação com julho de 2025, isto é, na variação anual, o volume de vendas do comércio no Estado de São Paulo apresentou retração de 0,5%. Entre os segmentos com maiores quedas, destacam-se equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-16%), móveis e eletrodomésticos (-7,4%) e livros, jornais, revistas e papelaria (-5,5%). Cabe ressaltar também que, no acumulado de janeiro a julho de 2026, o volume de vendas do varejo restrito paulista permaneceu estagnado, sem crescimento em relação ao mesmo período do ano passado. No país, a taxa foi positiva em 1,8%.
Variação do volume de vendas do comércio restrito em julho de 2026 – Estado de São Paulo (%)

Já no acumulado em 12 meses, enquanto o volume de vendas do comércio restrito paulista recuou 0,3%, no país houve avanço de 1,6%.
Evolução da volume de vendas do comércio restrito acumulado em 12 meses – Estado de São Paulo e Brasil (%)

Fonte: Pesquisa Mensal do Comércio – IBGE / Elaboração gráfica: Sindilojas-SP
Análise
O resultado de julho, com quedas nas vendas do comércio tanto em relação a junho, na série com ajuste sazonal, quanto diante de julho do ano passado, reforça a percepção de que o setor atravessa um processo de arrefecimento. O fato de os números paulistas terem ficado piores que os nacionais em julho pode, em alguma medida, estar relacionado a uma base de comparação mais elevada, considerando o ritmo de crescimento observado anteriormente. Entretanto, a trajetória do volume de vendas acumulado em 12 meses mostra que a dificuldade do varejo paulista não é um fenômeno restrito ao resultado de julho: há algum tempo, o desempenho estadual permanece abaixo da média nacional.
Composição do mercado
O desempenho inferior de São Paulo em relação à média nacional pode ser explicado, em parte, pela própria composição do mercado varejista paulista. Trata-se de uma economia com forte participação de segmentos de bens duráveis e semiduráveis, muitos deles mais sensíveis às condições de crédito e ao custo do financiamento. Em um ambiente de juros ainda restritivos, endividamento elevado e maior seletividade na concessão de crédito, a postergação de compras de maior valor tende a exercer pressão mais intensa sobre essas atividades.
Essa característica ajuda a compreender, inclusive, algumas das quedas observadas em julho. Segmentos como móveis e eletrodomésticos e equipamentos de informática e comunicação envolvem, em geral, produtos de maior valor unitário e cuja aquisição pode depender mais do parcelamento e do crédito. Quando o custo do financiamento permanece elevado e o consumidor precisa administrar um orçamento mais comprometido, essas compras são mais facilmente adiadas.
Para os empresários, o Sindilojas-SP reforça que o cenário impõe atenção redobrada à gestão de estoques, ao fluxo de caixa e às estratégias de preço e parcelamento, especialmente nos segmentos mais dependentes do crédito e considerando a proximidade com o período de maior movimento do setor, o quatro trimestre do ano.
Departamento de Economia e Tributação
Dentro de sua estrutura operacional, o Sindilojas-SP possui o Departamento de Economia e Tributação, objetivando levar ao empresário do comércio varejista um rol de informações relacionadas à conjuntura macroeconômica, imprimindo sobre estas as particularidades do setor do varejo.
O Sindilojas-SP leva em consideração o fato de que temáticas como obrigações fiscais, carga tributária e questões relativas à recente regulamentação da Reforma estarão permanentemente presentes no dia a dia dos empresários do comércio.
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