Gestão

Atualizações da NR-1 e seus impactos econômicos

27 de abril de 2026

A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que torna obrigatória a inclusão dos chamados riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) das empresas, está prevista para entrar em vigor a partir de 26 de maio (fiscalização punitiva). A regra amplia de forma significativa o escopo da gestão de saúde e segurança no trabalho, exigindo dos empregadores um olhar cada vez mais abrangente sobre a organização do trabalho e sobre as condições que garantem um ambiente profissional saudável, tanto do ponto de vista físico quanto psicossocial.

Até então, a maior parte das rotinas de prevenção nas empresas estava concentrada aos riscos físicos, químicos e ergonômicos. Com a atualização da NR-1, fatores ligados à transtornos mentais passam a também ter protagonismo na agenda de prevenção nas relações do trabalho. Exemplos de causadores dessas patologias são sobrecarga de trabalho, metas desproporcionais, conflitos organizacionais recorrentes, práticas inadequadas de liderança, ausência de canais de escuta e episódios de assédio moral.

Aspecto econômico

Sob a ótica econômica, trata-se de uma mudança relevante, pois amplia responsabilidades e introduz novos desafios de gestão empresarial. A norma determina que os riscos psicossociais sejam identificados, avaliados e controlados pelas empresas dentro do PGR. Isso pode envolver diagnósticos do ambiente organizacional, análise das jornadas e da distribuição de tarefas, avaliação das práticas de liderança e acompanhamento de indicadores como afastamentos por motivo de saúde e rotatividade. O descumprimento das exigências pode resultar em autuações e multas administrativas, cujos valores variam conforme o porte da empresa, a gravidade da infração e eventual reincidência.

Um dos principais desafios da nova exigência está justamente na natureza subjetiva de muitos fatores psicossociais, ou mais precisamente, de concluir que é o trabalho o causador de tais transtornos. Diferentemente de um risco físico ou de um equipamento de proteção, cuja mensuração costuma ser objetiva, aspectos como pressão por metas, clima organizacional ou qualidade da liderança exigem instrumentos de avaliação mais qualitativos. Essa característica tende a gerar dúvidas entre empresários sobre como comprovar, de forma prática, a adoção de medidas adequadas.

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Organização documental

Nesse contexto, um dos pontos mais discutidos é a chamada prova negativa do nexo causal, ou seja, a capacidade da empresa de demonstrar que adotou medidas razoáveis para evitar que o ambiente de trabalho seja o responsável pelo eventual adoecimento de um colaborador. Em termos práticos, isso significa que a organização precisa demonstrar que estruturou políticas, diagnósticos e ações preventivas contínuas voltadas à promoção de um ambiente laboral saudável.

Para isso, a organização documental ganha importância estratégica. Exames admissionais bem realizados (linha de base da saúde do trabalhador), registros detalhados do PGR, evidências de treinamentos, avaliações de clima organizacional, protocolos de gestão de conflitos, acompanhamento de afastamentos e ações de melhoria do ambiente de trabalho precisam estar organizados, atualizados e, sobretudo, refletir a realidade da companhia. Tudo com muito cuidado quanto a preservação das informações sigilosas de cada trabalhador.

Custos e o cenário do varejo

A boa notícia é que algumas das medidas preventivas exigidas pela nova abordagem não necessariamente implicam grandes investimentos. Há ações simples, de baixo custo e que podem ser adotadas desde já. Fortalecer a cultura de feedback nas equipes, capacitar lideranças para uma gestão mais equilibrada, criar canais seguros de escuta para colaboradores, incentivar atividades físicas/bem-estar e cuidar para que metas e prazos sejam realistas são iniciativas exemplificativas que ajudam a reduzir tensões organizacionais e a melhorar o clima de trabalho.

Para o varejo, setor marcado por equipes numerosas e sazonais, rotinas intensas e metas, essas medidas tornam-se ainda mais relevantes. Ambientes organizacionais com níveis elevados de estresse tendem a registrar maior absenteísmo, aumento do chamado presenteísmo (quando o trabalhador comparece, mas produz abaixo do potencial) além de maior rotatividade e crescimento de afastamentos por questões de saúde.

Estratégia empresarial

Dados da Previdência Social indicam que os afastamentos por transtornos como ansiedade, depressão e burnout cresceram de pouco mais de 90 mil casos em 2020 para quase 550 mil em 2025. Ou seja, a atualização da NR-1 surge como uma  resposta regulatória esperada de uma realidade que já impacta diretamente a produtividade e os custos das empresas.

Diante desse cenário, mais do que uma obrigação legal, a gestão estruturada dos riscos psicossociais tende a se consolidar como uma estratégia empresarial de eficiência. Empresas que antecipam diagnósticos, organizam seus registros, fortalecem práticas de liderança e investem em ambientes de trabalho mais equilibrados não apenas reduzem riscos jurídicos e impactos econômicos, como também preservam capital humano e criam condições mais favoráveis para sustentar produtividade em um cenário cada vez mais desafiador.

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