Emprego na base da pirâmide e os efeitos ao varejo
Uma análise recente da consultoria 4Intelligence, com base em dados do IBGE, mostrou uma dinâmica interessante do mercado de trabalho brasileiro nos últimos anos. Os trabalhadores que recebem entre um e dois salários mínimos responderam por cerca de 87,3% do crescimento da população ocupada entre 2023 e 2025. Isso significa que a expansão do emprego foi puxada, principalmente, por vagas de menor remuneração. Nesse período, aproximadamente 4 milhões de pessoas passaram a ocupar postos nessa faixa de renda, de um total de 4,6 milhões de novos ocupados no país.
Esse movimento está diretamente associado à forte queda da taxa de desocupação observada na economia brasileira nos últimos anos. Quando o mercado de trabalho se aquece e as empresas passam a contratar com maior intensidade, surgem oportunidades também para trabalhadores com menor escolaridade, pouca experiência profissional ou menor nível de qualificação formal. Em outras palavras, o ciclo de geração de vagas de emprego tende a alcançar camadas da população que tradicionalmente encontram mais dificuldades para se inserir no mercado de trabalho.
Fatores positivos
Embora esses postos apresentem remunerações menores, o fenômeno não deve ser visto necessariamente de forma negativa. A geração de empregos nessa faixa de renda significa mais pessoas com acesso a uma fonte de renda, maior capacidade de consumo e melhores condições de subsistência. Assim, a expansão da ocupação na base da pirâmide pode contribuir para reduzir desigualdades e ampliar oportunidades econômicas.
Outro fator relevante para compreender esse cenário é o papel dos setores de comércio e serviços, que tem sido os principais motores da geração de empregos celetistas no país desde 2020. Diferentemente de setores mais intensivos em capital ou em qualificação técnica, muitas atividades comerciais e de serviços valorizam também características comportamentais e pessoais, como capacidade de atendimento, comunicação e relacionamento. Por vezes, tais atributos possuem tanta ou mais relevância que experiência prévia ou formação profissional específica. Em um contexto de menor disponibilidade de mão de obra, empresas acabam ampliando o leque de perfis considerados aptos para contratação, o que favorece a inclusão de novos trabalhadores no mercado.
Há ainda uma segunda notícia positiva no campo do emprego formal. De acordo com dados do Novo Caged, o salário médio real de admissão dos trabalhadores celetistas em fevereiro de 2026 foi de R$ 2.346,97, o maior valor registrado para esse mês desde 2020.
O dado sugere que, além da expansão do número de vagas, também houve alguma melhora no nível de remuneração das novas contratações, mesmo em um contexto de crescimento mais concentrado nas faixas salariais mais baixas.
Fenômeno ambivalente
Em síntese, o atual momento do mercado de trabalho brasileiro revela um fenômeno ambivalente, mas relevante. Se por um lado a geração de vagas ainda se concentra em ocupações de menor renda (o que é um desafio estrutural de oferta e demanda por mão de obra), por outro ela amplia o acesso ao emprego, promove inclusão produtiva e fortalece a base de consumo da economia.
É importante reconhecer que esse cenário positivo está longe de representar uma solução permanente ou estrutural para o quadro socioeconômico da renda dos brasileiros, especialmente para a parcela situada na base da pirâmide. A economia brasileira ainda enfrenta desafios relevantes e há sinais de desaceleração da atividade econômica nos próximos períodos, o que tende a reduzir o ritmo de geração de vagas.
Ainda assim, isso não diminui a relevância dos resultados observados recentemente. A ampliação da ocupação entre trabalhadores de menor renda indicam um momento favorável de inclusão produtiva, cujos benefícios (ainda que possivelmente transitórios) representam avanços na geração de renda de milhões de brasileiros, o que sempre chega aos setores econômicos mais próximos a eles, em especial o nosso comércio varejista, que é o segmento que mais possui contato com o consumidor final.
Departamento de Economia e Tributação
Dentro de sua estrutura operacional, o Sindilojas-SP possui o Departamento de Economia e Tributação, objetivando levar ao empresário do comércio varejista um rol de informações relacionadas à conjuntura macroeconômica, imprimindo sobre estas as particularidades do setor do varejo.
O Sindilojas-SP leva em consideração o fato de que temáticas como obrigações fiscais, carga tributária e questões relativas à recente regulamentação da Reforma estarão permanentemente presentes no dia a dia dos empresários do comércio.
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