Notícias do Departamento de Economia e Tributação

Endividamento impõe limites ao consumo e desafia o comércio

16 de abril de 2026

O endividamento das famílias brasileiras tornou-se um dos principais fatores para compreender os limites recentes do crescimento do consumo e, consequentemente, do próprio ritmo da economia. Nos últimos anos, o país passou a conviver com um cenário aparentemente paradoxal: ao mesmo tempo em que o mercado de trabalho apresenta indicadores positivos, a capacidade das famílias de ampliar os seus gastos mostra sinais de esgotamento. Essa combinação ajuda a explicar por que, mesmo com renda e emprego avançando, o consumo já não cresce com a mesma intensidade observada em outros momentos.

Comprometimento de renda

Dados recentes do IBGE mostram que o Brasil atingiu as menores taxas de desocupação da série histórica. Paralelamente, os registros do Novo Caged indicam sucessivos anos de crescimento do emprego formal. Em teoria, esse ambiente deveria estimular o consumo das famílias, uma vez que mais pessoas trabalhando e recebendo salários tende a ampliar a circulação de renda na economia. Contudo, na prática, parte relevante dessa renda já está comprometida com dívidas, reduzindo o espaço para novas compras.

Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da FecomercioSP, o percentual de famílias paulistanas endividadas alcançou 70% em fevereiro de 2026, com avanço desde o fim do ano passado, sendo que 20,4% já possuem dívidas em atraso. Ao mesmo tempo, dados do Banco Central mostram que o endividamento das famílias com o sistema financeiro chegou a 49,7% da renda em janeiro de 2026. E segundo o mesmo BC, o comprometimento de renda das famílias com essas dívidas (principal e os seus juros) já é de 29,3% do orçamento, o maior nível da história.

Analogia

Uma analogia simples ajuda a compreender o desafio: não adianta ter renda se ela já está amplamente comprometida. Para que haja avanço real na qualidade de vida, é necessário que as famílias disponham de renda livre para consumir e planejar o futuro. Quando grande parte do orçamento está direcionada ao pagamento cartões, de parcelas, financiamentos e dívidas acumuladas, o aumento da renda não se traduz automaticamente em maior capacidade de compra.

Mesmo com a inflação apresentando desaceleração no segundo semestre do ano passado, isso não significou queda nos preços. Na prática, os produtos e serviços continuaram mais caros, apenas subindo em ritmo menor. Esse contexto, somado ao ambiente de juros elevados, mantém o crédito caro e dificulta tanto a renegociação quanto a quitação de dívidas, contribuindo para o avanço da inadimplência.

Esse quadro ajuda a entender por que o crescimento econômico brasileiro enfrenta limitações. O consumo das famílias responde por mais de 60% do PIB pela ótica da demanda. Quando esse motor perde força, toda a economia sente os efeitos. E o comércio, por sua relação direta com o consumidor, é um dos primeiros setores a perceber essa mudança de comportamento.

Planejamento e foco

Segundo a Pesquisa Mensal do Comércio, do IBGE, o volume de vendas do setor cresceu apenas 1,6% no Brasil nos 12 meses encerrados em janeiro de 2026. No estado de São Paulo, principal economia do país, o avanço foi ainda menor, de apenas 0,2%. Para o comerciante, compreender esse cenário é fundamental. Em um ambiente de orçamento familiar pressionado, o consumidor será mais cauteloso, seletivo e atento aos preços, exigindo do varejo estratégias cada vez mais eficientes para manter a competitividade.

E com a chegada de importantes datas especiais, como o Dia das Mães e o Dia do Namorados, fora a Copa do Mundo, o planejamento e o foco devem ser ainda mais bem apurados para performar frente a tantos desafios.

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Dentro de sua estrutura operacional, o Sindilojas-SP possui o Departamento de Economia e Tributação, objetivando levar ao empresário do comércio varejista um rol de informações relacionadas à conjuntura macroeconômica, imprimindo sobre estas as particularidades do setor do varejo.

O Sindilojas-SP leva em consideração o fato de que temáticas como obrigações fiscais, carga tributária e questões relativas à recente regulamentação da Reforma estarão permanentemente presentes no dia a dia dos empresários do comércio.

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