Fim da Taxa das Blusinhas dispara importações e preocupa varejo
Dados da Receita Federal mostram que 28,3 milhões de remessas internacionais chegaram ao Brasil em junho. O volume representa crescimento de 72% em relação a abril, último mês em que a tributação estava em vigor. Na comparação com junho de 2025, quando foram registradas 13,2 milhões de encomendas, o aumento chega a 118%.
Varejo enfrenta concorrência crescente
A expansão das importações ocorre em um momento de desafios para o comércio brasileiro, que convive com juros elevados e custos ainda pressionados. A concorrência dos produtos estrangeiros afeta diferentes segmentos, entre eles vestuário, calçados, beleza e brinquedos.
O aumento das compras realizadas em plataformas internacionais também preocupa a indústria nacional. A estimativa do setor produtivo é de que o valor das vendas de produtos importados destinadas ao mercado brasileiro tenha crescido em quase US$ 1 bilhão.
Na avaliação do setor, o avanço das importações significa que parte desses recursos deixa de circular no mercado interno, com possíveis reflexos sobre a atividade econômica, a geração de empregos e os investimentos das empresas brasileiras.
Impactos sobre emprego e investimentos
A pressão sobre o comércio ocorre em paralelo a um cenário de redução de postos de trabalho. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontam que o varejo registrou queda de aproximadamente 70 mil empregos entre janeiro e maio.
A continuidade do avanço das importações, especialmente em segmentos mais expostos à concorrência internacional, pode ampliar as dificuldades enfrentadas pelas empresas brasileiras. O cenário também gera preocupação quanto aos investimentos, principalmente diante da falta de definição sobre o futuro da tributação das compras internacionais.
Para o setor produtivo, a previsibilidade das regras é fundamental para que as empresas possam planejar investimentos, ampliar operações e preservar postos de trabalho.
Busca por isonomia tributária
Diante do crescimento das importações, representantes do setor produtivo defendem condições mais equilibradas de concorrência entre empresas brasileiras e plataformas internacionais.
Entre as alternativas defendidas está a adoção de uma isenção tributária no mercado interno para vendas de até R$ 250, valor equivalente aproximadamente ao limite de US$ 50 das compras internacionais, ou a retomada da tributação sobre as remessas estrangeiras.
A discussão ganhou força com a Medida Provisória nº 1.357/2026, que estabeleceu o fim da cobrança sobre essas compras. A expectativa do setor é de que a medida perca a validade em 22 de setembro e não seja aprovada pelo Congresso Nacional.
Setor têxtil está entre os mais afetados
A concorrência internacional é especialmente sensível no setor têxtil, que possui forte participação na geração de empregos no país. Empresas brasileiras enfrentam custos relacionados à produção, tributação, encargos e distribuição, enquanto plataformas estrangeiras conseguem oferecer produtos a preços mais competitivos.
Segundo estimativas do setor, as plataformas asiáticas já conquistaram uma parcela significativa do mercado têxtil brasileiro, e o avanço dessa participação aumenta a preocupação entre empresas nacionais, principalmente as de pequeno e médio porte.
Para o comércio e a indústria, o debate sobre a tributação das compras internacionais vai além do preço final ao consumidor. A discussão envolve a necessidade de estabelecer condições equilibradas de competição, preservar empregos, estimular investimentos e fortalecer a produção e o varejo nacionais.
Tratamento isonômico
O Sindilojas-SP acompanha o tema e reforça seu apoio às iniciativas que promovam um ambiente de negócios mais equilibrado e competitivo. Para a entidade, o fortalecimento do comércio nacional passa pela adoção de regras que assegurem tratamento isonômico entre produtos nacionais e importados, contribuindo para a geração de empregos, investimentos e desenvolvimento econômico.
Empresário: O Sindilojas-SP faz parte do Sistema Confederativo do Comércio, lutando pela defesa do setor em conjunto com a Confederação Nacional do Comércio e a FecomercioSP.
