Notícias do Departamento de Economia e Tributação

Manutenção da taxa Selic: custo alto para o comércio varejista

29 de janeiro de 2026

Na primeira reunião de 2026, o Comitê de Política Monetária (Copom) optou por manter a taxa Selic em 15% ao ano, estendendo um dos períodos mais rígidos da política monetária recente no Brasil. Embora já fosse esperado pelo mercado, o Banco Central reforçou sua postura conservadora, aumentando a preocupação entre os setores produtivos (como é o comércio varejista paulistano), que esperavam que o ciclo de redução dos juros começasse já agora em janeiro.

Gráfico 1: Evolução da Taxa Selic (% ao ano)

Fonte: Banco Central do Brasil / Elaboração: Sindilojas-SP

A possibilidade de um primeiro corte na Selic era aguardada, devido tanto a desaceleração da inflação brasileira ao longo do segundo semestre de 2025, quanto ao observarmos as expectativas em relação aos preços no futuro. O próprio Boletim Focus indica que o IPCA de 2026 é projetado em 4%, podendo com razoáveis chances ficar abaixo disso, com nível ainda mais próximo do centro da meta do BC.

Esse cenário, na avaliação do Sindilojas-SP, permitiria uma transição mais ligeira (ainda que gradual) para uma política monetária menos restritiva (juros mais baixos), sem comprometer a credibilidade do BC e do próprio regime de metas inflacionárias.

Custo elevado para o comércio

Ao optar por adiar o início dos cortes, agora sinalizado para março, o Banco Central demonstra que seguirá priorizando a cautela, mesmo diante do enfraquecimento da atividade econômica. Em relação ao cenário doméstico, o argumento, entre outros, é: a resistência da inflação de serviços, sustentada por um mercado de trabalho ainda resiliente. No entanto, cresce a leitura de que o custo dessa estratégia vem sendo elevado para a economia real, especialmente para os setores mais dependentes de crédito, como é o comércio varejista.

Os juros altos impactam diretamente a demanda agregada, ao encarecer o crédito tanto para pessoas físicas quanto jurídicas. No caso das famílias, o efeito é sobre o consumo, sobretudo de bens duráveis e semiduráveis, altamente sensíveis às condições financeiras. Para as empresas, o encarecimento das linhas de capital de giro, antecipação de recebíveis e financiamentos pressiona margens, limita investimentos e reduz a capacidade de expansão.

Controle rigoroso

O varejo figura entre os segmentos mais afetados por esse ambiente prolongado de juros altos. Além da retração do consumo financiado, o setor convive com custos financeiros elevados e maior risco de inadimplência. Diante desse quadro, os varejistas terão de manter, por mais tempo, um controle ainda mais rigoroso da gestão financeira, com atenção especial à liquidez, à gestão de endividamento e à eficiência operacional.

Desafios e cautela

A manutenção da Selic em 15% sinaliza que a primeira metade de 2026 seguirá marcada por desafios relevantes para a atividade econômica. Enquanto o país aguarda o início efetivo do ciclo de afrouxamento monetário, caberá às empresas atravessar esse período de juros altos com cautela, planejamento e disciplina financeira, em um cenário no qual o custo do dinheiro segue elevado e o fôlego da demanda permanece limitado.

Departamento de Economia e Tributação

Dentro de sua estrutura operacional, o Sindilojas-SP possui o Departamento de Economia e Tributação, objetivando levar ao empresário do comércio varejista um rol de informações relacionadas à conjuntura macroeconômica, imprimindo sobre estas as particularidades do setor do varejo.

O Sindilojas-SP leva em consideração o fato de que temáticas como obrigações fiscais, carga tributária e questões relativas à recente regulamentação da Reforma estarão permanentemente presentes no dia a dia dos empresários do comércio.

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