Notícias do Departamento de Economia e Tributação

Turnover nas empresas do varejo paulistano bate recorde em 2025

24 de fevereiro de 2026

A taxa geral de rotatividade do setor varejista na capital paulista foi de 60,3%, a maior desde 2020. 

A taxa de rotatividade da mão de obra celetista no varejo paulistano alcançou em 2025 um patamar historicamente elevado, registrando cerca de 60,3% no acumulado anual, o mais alto desde a adoção do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), em 2020. Esse índice expressa o ritmo intenso de admissões e desligamentos no setor, indicando que mais da metade dos vínculos de trabalho com carteira assinada foi renovada ao longo do ano, um reflexo tanto da alta mobilidade do mercado de trabalho quanto dos desafios operacionais enfrentados pelos varejistas na retenção de funcionários. E é relevante dizer que a taxa de 2025 é quase 60% maior que a vista em 2020, o que demonstra quão aguda foi essa trajetória em apenas seis anos.

Taxas de rotatividade da mão de obra celetista do varejo paulistano – 2020 a 2025

Fonte: Novo Caged / Elaboração e cálculos: Sindilojas-SP

Além dos preocupantes dados gerais acima apresentados, o Sindilojas-SP aplicou uma lupa sobre os 75 subsetores do comércio varejista da capital paulista, que em 2025 empregaram um total de mais de 611 mil trabalhadores com carteira assinada. Assim, chegou-se aos 10 que possuíram as maiores taxas de rotatividade de empregados ano passado.

Acima dos 90% tivemos dois segmentos, do varejo de artigos usados e as lojas de conveniência. Com 85% aparece o varejo de bebidas, seguido pelas lojas de variedades e as de cosméticos, perfumaria e higiene pessoal, sendo estas duas últimas com taxas beirando 80% no ano. Ainda neste incômodo ranking, ressaltam-se duas atividades bastante empregadoras, como os minimercados, mercearias e armazéns (com taxa de rotatividade de 77,8%) e o varejo de vestuário e acessórios (com taxa de rotatividade de 71,8%). Juntas, elas empregam quase 100 mil trabalhadores em São Paulo/SP.

Taxas de rotatividade dos 10 subsetores varejistas com a maior taxa de rotatividade no comércio varejista paulistano em 2025

A taxa de rotatividade elevada no varejo segue a tendência também de elevação da turnover no mercado de trabalho em geral. Tanto que no estado de São Paulo, considerando a soma de todos os setores, tal indicador foi 56,6% em 2025, também o maior nível desde 2020. O que se nota é que esta evolução se dá pelo próprio período de aquecimento do mercado de trabalho pós pandemia, onde não apenas foram sucessivos os anos de crescimento das vagas formais, como a própria taxa de desocupação da economia brasileira atingiu 5,1% ao fim do ano passado, a menor da série.

E este mercado de trabalho mais aquecido eleva a rotatividade porque amplia as oportunidades de emprego disponíveis ao trabalhador. Quando há maior geração de vagas formais os profissionais se sentem mais seguros para trocar de emprego em busca de salários mais altos, melhores benefícios, jornadas mais adequadas ou maior proximidade de casa, pro exemplo. Esse movimento aumenta os desligamentos voluntários e estimula as empresas a contratarem com mais frequência para repor quadros ou expandir equipes, criando um ciclo de admissões e demissões mais intenso, típico de períodos de mercado aquecido, como temos visto nos últimos anos e novamente em 2025.

Particularidades do varejo

A rotatividade no varejo costuma ser maior que a média da economia porque o setor é intensivo em mão de obra, concentra muitas funções operacionais, de entrada no mercado de trabalho e sofre forte influência da sazonalidade das vendas, como em datas comemorativas. Além disso, há maior presença de contratos com jornadas flexíveis e salários próximos ao piso, o que aumenta a mobilidade natural dos trabalhadores em busca de progressão profissional. Trata-se, portanto, de uma característica estrutural do setor.

Alerta

Mas, um alerta: A alta rotatividade traz problemas tanto para as empresas quanto para os trabalhadores: para as empresas, eleva custos com rescisões, recrutamento e treinamento, reduz a produtividade, compromete a qualidade do atendimento e dificulta a formação de equipes experientes. Já para os trabalhadores, pode significar maior instabilidade de renda, interrupções no acúmulo de benefícios, menor progressão de carreira e maior vulnerabilidade em momentos de desaceleração econômica. Em termos conclusivos, embora a rotatividade elevada possa refletir um mercado de trabalho dinâmico, quando atinge níveis excessivos ela tende a gerar ineficiências, insegurança e perda de competitividade.

Departamento de Economia e Tributação

Dentro de sua estrutura operacional, o Sindilojas-SP possui o Departamento de Economia e Tributação, objetivando levar ao empresário do comércio varejista um rol de informações relacionadas à conjuntura macroeconômica, imprimindo sobre estas as particularidades do setor do varejo.

O Sindilojas-SP leva em consideração o fato de que temáticas como obrigações fiscais, carga tributária e questões relativas à recente regulamentação da Reforma estarão permanentemente presentes no dia a dia dos empresários do comércio.

Fale conosco, queremos ajudar, melhorar e proteger seu negócio. Entre em contato através dos nossos canais

Ligue 11 2858-8400,  FALE CONOSCO  ou ainda pelo WhatsApp 11 2858-8402