Notícias do Departamento de Economia e Tributação

Varejo paulista deve gerar 18,5 mil empregos neste fim de ano

6 de outubro de 2026

Comércio varejista da Capital deve ser responsável por 4 mil novos postos de trabalho celetistas em outubro e novembro.

O último trimestre de 2026 começa, com o mês outubro marcado pelo Dia das Crianças, data relevante principalmente para segmentos de brinquedos e de vestuário e artigos infantis. Após essa comemoração, o varejo concentra seus esforços na preparação para o fim do ano, período marcado pela maior sazonalidade das vendas, impulsionada, entre outros fatores, pelo pagamento do décimo terceiro salário, pela Black Friday, em novembro, e pelas compras de Natal, ao longo de dezembro.

É exatamente a injeção do décimo terceiro salário que faz com que dezembro continue sendo o principal mês de faturamento bruto do comércio varejista, seja no estado de São Paulo, seja na Capital. Segundo a Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV – FecomercioSP), o faturamento bruto do varejo paulista no último mês de 2025 foi 11,5% superior à média dos outros meses daquele ano. Na Capital atingiu-se os 12% de acréscimo. E o Sindilojas SP chama a atenção que este aumento sazonal das vendas é ainda maior para segmentos como vestuário, tecidos e calçados, com quase 60% de avanço na Capital em dezembro de 2025, ao compará-lo com a média dos outros meses daquele ano.

Reforço de mão de obra

Esse aumento da demanda, por sua vez, exige de muitos estabelecimentos o reforço da mão de obra. Para 2026, o Sindilojas-SP projeta que no varejo do estado de São Paulo cerca de 18,5 mil empregos formais devam ser criados no período que antecede o mês de dezembro, isto é, avaliando o acumulado de outubro e novembro. E esse emprego gerado é prévio ao último mês do ano exatamente para possibilitar planejamento em cada etapa dessas novas vagas, isto é, desde a seleção, a admissão e os treinamentos. Estimamos também que a capital paulista deverá concentrar cerca de 22% destes postos de trabalho, ou seja, cerca de 4 mil vagas.

A tendência é que tanto no varejo do estado quanto do paulistano, os segmentos de vestuário, calçados, artigos de viagem e acessórios concentrem até 35% dos novos empregos, seguidos dos ramos supermercadistas, que devem ser responsáveis por outros 30% das novas vagas. O restante a ser gerado irá se dividir entre as outras atividades do varejo.

Distribuição de vagas

Além disso, considerando o histórico da movimentação de emprego celetista no comércio varejista do estado de São Paulo, estima-se que as ocupações com as maiores criações de vagas fiquem distribuídas principalmente entre:

  • Vendedores: 4.625 empregos;
  • Atendentes: 4.625 empregos;
  • Operadores de caixa: 2.775 empregos;
  • Repositores: 1.850 empregos;
  • Outras ocupações: 4.625 empregos.

Essa projeção para o bimestre outubro-novembro considera exclusivamente as atividades varejistas. A estimativa não engloba os segmentos do comércio atacadista, de veículos ou peças, além dos diversos ramos de prestação de serviços, como bares, restaurantes, serviços terceirizados de limpeza, segurança, entre outros.

Além disso, as projeções se referem aos empregos que efetivamente deverão ser gerados. Esse conceito é diferente do número de vagas anunciadas por estabelecimentos como ‘em aberto’, que costuma ser maior, mas nem sempre resulta em contratações efetivas, diante, inclusive, das dificuldades de disponibilidade de mão de obra.

Déficit e desempenho

Por fim, cabe ressaltar que as 18,5 mil vagas estimadas estão em um patamar abaixo do visto ano passado, quando 23,9 mil postos de trabalho foram gerados no varejo do estado nos meses de outubro e novembro. Em verdade, caso a atual projeção se concretize, teríamos o menor saldo para o período da série histórica, que se inicia em 2020. Essa desaceleração estimada na criação de novos postos de trabalho está relacionada ao próprio ritmo do setor, tanto em relação ao desempenho das vendas quanto ao comportamento do mercado de trabalho ao longo de 2026, que se mostra inferior ao observado no ano passado.

Nesse contexto, também não se pode descartar uma maior dificuldade das famílias em manter seu nível de consumo, considerando um período de elevados níveis de endividamento e inadimplência, juros altos e crédito seletivo, bem como perda de poder de compra provocada por uma inflação acima da meta perseguida pelo Banco Central. A esse cenário se soma a forte concorrência enfrentada pelo varejo local diante das plataformas de vendas on-line, muitas delas estrangeiras.

Este ambiente cauteloso certamente impactará o final de ano do varejo. O último trimestre continuará sendo o período de maiores oportunidades de negócios e de geração de empregos do setor, especialmente em outubro e novembro, no caso do mercado de trabalho. Ainda assim, na comparação com o mesmo período do ano passado, a expectativa é de um desempenho mais fraco e, na melhor das hipóteses, próximo da estabilidade.

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