Câmara de Desenvolvimento Econômico e Empresarial

Dez impactos negativos do fim da escala 6×1

19 de fevereiro de 2026

Alteração de jornada por imposição da lei pode elevar o custo do trabalho em 22%, pressionar preços, eliminar empregos formais e ampliar a informalidade.

A discussão sobre a redução da jornada laboral e a melhoria da qualidade de vida do trabalhador é legítima e necessária. No entanto, propostas que desconsiderem a realidade econômica, a produtividade e o papel da negociação coletiva podem gerar efeitos opostos aos pretendidos.

Levantamento do Sindilojas-SP e da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP)  reúne dez pontos de atenção sobre os impactos da redução abrupta das jornadas, especialmente do fim imediato da escala 6×1, com reflexos diretos sobre empregos, preços e o funcionamento de setores estratégicos da economia.

O debate sobre a redução da jornada e a melhoria da qualidade de vida do trabalhador é legítimo e necessário. Contudo, propostas que desconsiderem o cenário econômico, os níveis de produtividade e a importância da negociação coletiva podem gerar efeitos contrários aos pretendidos.

Listamos abaixo dez pontos de atenção sobre os impactos de uma redução abrupta da jornada, especialmente com o fim imediato da escala 6×1, destacando reflexos diretos sobre o emprego formal, os preços e o funcionamento de setores estratégicos da economia.

1 – Boa intenção não garante bons resultados

Discutir qualidade de vida no trabalho é fundamental, mas políticas públicas mal dimensionadas tendem a produzir consequências indesejadas. Quando fatores como custo da mão de obra, produtividade e organização das cadeias produtivas não são considerados, o impacto recai sobre preços, geração de empregos e níveis de informalidade. Avaliações técnicas indicam que o fim abrupto da escala 6×1 não assegura melhoria nas condições de vida e pode comprometer fundamentos do equilíbrio econômico.

2 – Aumento imediato do custo da hora trabalhada

A proposta representa elevação estimada de 22% no custo da hora trabalhada. O aumento decorre da redução da jornada sem ajuste proporcional da remuneração, o que encarece diretamente a mão de obra.

3 – Custo maior tende a reduzir empregos

A alta no custo do trabalho pode resultar em retração nas contratações e ampliação de desligamentos. Estudos indicam a possibilidade de eliminação de até 1,2 milhão de postos formais. Além disso, o encarecimento da folha tende a estimular substituições por trabalhadores de menor remuneração ou a migração para a informalidade.

4 – Micro e Pequenas Empresas seriam as mais impactadas

Responsáveis por cerca de 80% das novas vagas formais, as Micro e Pequenas Empresas sustentam economias locais e a arrecadação municipal. Por terem menor capacidade de absorver aumentos abruptos de custos, são também as mais vulneráveis a mudanças dessa natureza — o que pode penalizar justamente quem mais emprega.

5 – Impacto sobre setores estratégicos

Varejo, Agricultura e Construção Civil concentram grande parcela dos vínculos com jornadas entre 41 e 44 horas semanais e exercem papel central na geração de renda e empregos. Alterações bruscas nesses segmentos podem desorganizar cadeias produtivas inteiras, afetando fornecedores, logística, serviços correlatos e o próprio consumo.

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 6 – Redução sustentável depende de produtividade

Experiências internacionais mostram que a diminuição da jornada ocorreu após ganhos consistentes de produtividade, com investimentos em tecnologia, qualificação profissional e gestão. No Brasil, onde a produtividade ainda é um desafio, reduzir horas antes de avançar nesses aspectos pode elevar custos sem contrapartida em eficiência.

7 – Jornadas menores já ocorrem via negociação

Embora a legislação estabeleça 44 horas semanais como limite, a jornada média negociada no País gira em torno de 39 horas — patamar próximo ao observado em economias desenvolvidas. Esse resultado decorre da valorização da negociação coletiva prevista na Constituição de 1988, demonstrando a capacidade de adaptação do sistema por meio do diálogo.

8 – Negociação coletiva oferece maior equilíbrio

A negociação permite adequar jornadas às especificidades de cada setor e região, preservando empregos onde a produtividade é menor e possibilitando reduções onde há viabilidade econômica. A imposição uniforme por lei substitui essa flexibilidade por rigidez, ignorando diferenças estruturais importantes.

9 – Reflexos para trabalhadores e consumidores

Com custos mais elevados e eventual redução da produção, o repasse para preços tende a ocorrer, afetando o poder de compra da população e o próprio mercado de trabalho.

10 – Mudanças abruptas elevam risco de informalidade

A experiência internacional indica que transições bem-sucedidas são graduais. Uma redução imediata de 480 horas anuais não encontra precedentes. O risco envolve aumento da informalidade, crescimento de trabalhos precários, insegurança jurídica e queda de produtividade. Por isso, o debate deve priorizar formas de trabalhar melhor, com renda estável, segurança jurídica e diálogo social.

O Sindilojas-SP informa que atuará junto aos poderes Legislativo e Executivo para apresentar dados e análises técnicas que contribuam para uma discussão ampla e responsável sobre jornadas de trabalho. A entidade reafirma a importância da qualidade de vida dos trabalhadores, mas ressalta que o desenvolvimento econômico precisa ser considerado de maneira equilibrada, evitando novos desequilíbrios no ambiente de negócios brasileiro.

O Sindilojas-SP faz parte do Sistema Confederativo do Comércio, participando das ações em Defesa do Comércio  conjuntamente com a Confederação Nacional do Comércio e a FecomercioSP.

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