Gestão

Aumento de consumidores 50+ redefine o mercado paulistano

30 de julho de 2026

Com quase um terço da população acima dos 50 anos, a Capital lidera o envelhecimento populacional e impõe novos desafios e oportunidades para o comércio.

Cada vez mais pesquisas mostram o aumento da importância da chamada Economia Prateada, termo cunhado para descrever a participação da população com 50 anos ou mais na dinâmica econômica e social. Em São Paulo/SP, esta transformação é ainda mais evidente do que na média do país. Dados do Censo Demográfico do IBGE mostram que o município concentra uma população acima dos 50 anos proporcionalmente maior que a observada no Estado de São Paulo e no Brasil, indicando que o envelhecimento populacional exerce (e continuará exercendo) impactos cada vez mais relevantes sobre o perfil do consumidor, mercado de trabalho e as estratégias do comércio.

Números da Capital que chamam a atenção

Em 2010, a Capital possuía 2,55 milhões moradores com 50 anos ou mais, o equivalente a 22,7% da população. No Censo de 2022, esse contingente saltou para 3,45 milhões pessoas, passando a representar 30,2% dos habitantes do município. O percentual supera o registrado no Estado de São Paulo (29,8%) e no Brasil (27,7%), evidenciando que a cidade vive esse processo de envelhecimento de forma ainda mais intensa. Em outras palavras, quase um em cada três paulistanos já tem mais de 50 anos.

Cenário nacional e participação no consumo

No cenário nacional, essa transformação também é expressiva. Dados coletados pelo Sindilojas-SP no IBGE mostram que a população brasileira com 50 anos ou mais passou de 39 milhões de pessoas, em 2010, para 56,3 milhões em 2022. Em pouco mais de uma década, sua participação na população total aumentou de 20,4% para 27,7%, consolidando uma mudança demográfica que influenciará cada vez mais os padrões de consumo.

Essa realidade foi aprofundada recentemente por uma pesquisa da Data8, que estimou que os brasileiros com 50 anos ou mais já movimentam cerca de R$ 1,8 trilhão por ano em consumo, com potencial para alcançar R$ 3,8 trilhões até 2044, quando deverão responder por aproximadamente 35% de todo o consumo do país. O estudo mostra ainda que 76% desse público são a principal fonte de renda da família e 39% afirmam ser a única fonte de renda do domicílio.

Percentual no mercado de trabalho do comércio

Essa transformação, entretanto, não acontece apenas do lado do consumidor. Ela também já pode ser observada dentro das empresas. Os dados mais recentes da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), coletados e trabalhados pelo Sindilojas-SP, mostram que o comércio paulistano encerrou 2025 com quase 900 mil trabalhadores formais, dos quais 145,3 mil possuem mais de 50 anos. Entre 2022 e 2025, esse contingente cresceu 22,6%, o equivalente à criação de 26,7 mil novos empregos, sendo a faixa etária com o maior saldo positivo no mercado de trabalho do comércio local nesse período. Em outras palavras, o envelhecimento ocorre simultaneamente dos dois lados do balcão: quem compra está mais velho, mas quem atende esse consumidor também.

Cesta de consumo e oportunidades

Para o empresário, essa mudança representa muito mais do que uma alteração demográfica. Segundo a Data8, no Sudeste, a cesta de consumo das pessoas acima dos 50 anos concentra-se principalmente em habitação (29%), alimentação (22%), assistência e saúde (16%) e transportes (16%), evidenciando um consumidor que valoriza conforto, bem-estar, qualidade de vida e segurança. Isso amplia as oportunidades para diferentes segmentos do comércio, como supermercados, materiais de construção, móveis e decoração, farmácias, produtos naturais, vestuário, calçados, artigos esportivos e serviços voltados ao autocuidado. Mais do que vender produtos, será cada vez mais importante compreender as prioridades desse consumidor e oferecer soluções alinhadas às suas necessidades e ao seu estilo de vida.

Preparação e estratégias

Preparar-se para essa transformação significa revisar estratégias de negócio sob diferentes aspectos. A comunicação deve utilizar linguagem clara, objetiva e inclusiva, enquanto campanhas publicitárias precisam representar consumidores maduros de forma positiva e ativa. As lojas podem investir em acessibilidade, boa iluminação, corredores amplos, sinalização de fácil leitura e ambientes mais confortáveis. O atendimento exigirá equipes preparadas para ouvir, orientar e construir relações de confiança, livres de estereótipos relacionados à idade. Ao mesmo tempo, as empresas precisarão desenvolver políticas capazes de atrair, reter e valorizar profissionais mais experientes, aproveitando a sua qualificação e experiência para fortalecer equipes multigeracionais.

Para o Sindilojas SP, em uma cidade onde quase um terço da população já tem mais de 50 anos, adaptar-se à economia da longevidade deixa de ser uma tendência para se tornar uma estratégia de competitividade. Compreender quem será o consumidor predominante nas próximas décadas e reconhecer que essa transformação também já está presente dentro das próprias empresas será um diferencial para o comércio que pretende crescer em um mercado cada vez mais maduro.

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