Fim da escala 6×1: o alto preço para empresas e empregos
O aprimoramento das relações de trabalho é o cerne das atividades sindicais, sendo esse um objetivo legítimo que deve ser perseguido por todos os entes envolvidos nesse processo. Contudo, como representante dos empresários do varejo paulistano, o Sindilojas-SP ressalta o caráter fundamental para o setor corporativo, de políticas e práticas que estejam ancoradas no planejamento e na previsibilidade. Nesse sentido, a nossa entidade lamenta que uma mudança de tamanha magnitude, como a que extinguiu a escala 6×1, tenha sido conduzida sob o calor e a influência do calendário eleitoral, sem a responsabilidade, sem a serenidade e sem a análise técnica que essa matéria exige.
Não existe mágica na economia. Temos apontado, reiteradamente, que uma redução de jornada desacompanhada de ganhos reais de produtividade, traz um resultado inevitável: aumento dos custos de produção e de operação das empresas.
Agravamento do cenário adverso
A aprovação açodada dessa matéria no Congresso Nacional vem na esteira de um cenário repleto de adversidades ao ambiente empresarial, como as incertezas trazidas pela Reforma Tributária, a revogação da “Taxa das Blusinhas”, que beneficia plataformas estrangeiras e prejudica o comércio e indústria nacionais, além dos altos índices de endividamento das famílias e empresas, que tem comprometido significativamente o consumo e a capacidade de investimento.
No comércio, especialmente, onde as margens já são extremamente apertadas, isso significará mais despesas com folha de pagamento, necessidade de contratação adicional ou redução da capacidade de atendimento.
Dimensão do problema
Estudo do Sindilojas-SP, baseado na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), dimensionou parte desses efeitos no varejo paulistano. Dos aproximadamente 595,2 mil vínculos formais do setor, 520,6 mil trabalhadores (87,5%) cumpriam jornada de 44 horas semanais. Mantido o volume de horas necessário ao funcionamento das empresas, a redução para 40 horas poderia exigir até 52 mil trabalhadores adicionais, com custo anual potencial de R$ 2,4 bilhões, em uma estimativa pragmática.
A dimensão desse contingente evidencia o desafio de adaptação: em 2025, o varejo paulistano gerou pouco mais de 9 mil empregos líquidos, número muito inferior à necessidade potencial estimada pelo estudo. Essa diferença reforça que a recomposição das equipes não pode ser tratada como uma consequência automática da redução da jornada, sobretudo diante das limitações financeiras e operacionais de grande parte dos estabelecimentos, fora a pouca oferta de mão de obra disponível.
Direitos não sobrevivem sem empresas sustentáveis
Alguém pagará essa conta. E, infelizmente, ela tende a ser dividida entre consumidores, por meio da inflação, e trabalhadores, pela diminuição das oportunidades de emprego.
Sem crescimento da produtividade, não há como ampliar custos indefinidamente sem comprometer a sustentabilidade dos negócios.
Como proteger o emprego e direitos, sem empresas capazes de sobreviver? É uma conta que não fecha.
Aldo Macri
Presidente do Sindilojas-SP
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