Notícias do Departamento de Economia e Tributação

Copom inicia ciclo de queda da Selic com corte de apenas 0,25

20 de março de 2026

O Comitê de Política Monetária confirmou, nesta reunião de março, o início do ciclo de flexibilização monetária ao reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, passando a vigorar agora aos 14,75 p.p. ao ano. A decisão marca uma inflexão relevante após meses de aumentos e manutenção dos juros, refletindo a melhora gradual do cenário inflacionário doméstico. Ainda assim, o movimento evidencia uma postura cautelosa do Banco Central do Brasil, diante de um ambiente global ainda incerto, especialmente pelos desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio e seus potenciais impactos sobre os preços do petróleo e combustíveis.

Evolução da Taxa Selic (% ao ano)

 

Perspectiva futura

Embora a queda da Selic represente uma sinalização positiva para a atividade econômica, os seus efeitos sobre a demanda agregada não são imediatos. A política monetária opera com defasagens relevantes, que podem variar de seis a doze meses até se materializarem de forma mais consistente no consumo, no investimento e no crédito. Nesse sentido, o corte atual tem menos efeito imediato e mais importância como sinalização de trajetória futura, influenciando expectativas de consumidores, empresários e agentes financeiros.

Para os consumidores, a tendência é de redução gradual do custo do crédito ao longo dos próximos meses, com impacto em linhas de financiamento de bens duráveis e crédito pessoal. No entanto, o elevado nível de endividamento das famílias e a ainda limitada expansão da renda real podem retardar uma resposta mais forte do consumo. Ou seja, o impulso sobre a demanda tende a ser progressivo e não imediato.

Varejo: mudança de tendência

Para os empresários do comércio varejista, o início do ciclo de queda da Selic deve ser interpretado como uma mudança de tendência, mas não como uma solução de curto prazo. A redução dos juros tende a aliviar, ao longo do tempo, o custo de capital de giro, melhorar as condições de financiamento e favorecer decisões de investimento. Contudo, o ambiente ainda exige cautela na gestão, especialmente em relação a estoques, prazos e precificação.

Além disso, o cenário geopolítico adiciona um elemento de incerteza relevante. A elevação dos preços de combustíveis pode pressionar custos logísticos e reduzir o poder de compra das famílias, limitando o potencial de recuperação do varejo. Esse fator, inclusive, ajuda a explicar por que o corte foi de apenas 0,25 ponto percentual. Em um ambiente externo mais benigno, haveria espaço para uma redução mais expressiva, de até 0,50 ponto percentual.

Efeitos graduais

Dessa forma, o ciclo de queda da Selic tende a ser gradual, dependente de dados e sujeito a interrupções. E o próprio BCB deixa clara tal incerteza em seu comunicado, quando diz que “No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária”. Para o varejo, isso significa um processo de recuperação lenta, que exigirá muito planejamento, disciplina financeira e atenção constante ao comportamento do consumidor.

Departamento de Economia e Tributação

Dentro de sua estrutura operacional, o Sindilojas-SP possui o Departamento de Economia e Tributação, objetivando levar ao empresário do comércio varejista um rol de informações relacionadas à conjuntura macroeconômica, imprimindo sobre estas as particularidades do setor do varejo.

O Sindilojas-SP leva em consideração o fato de que temáticas como obrigações fiscais, carga tributária e questões relativas à recente regulamentação da Reforma estarão permanentemente presentes no dia a dia dos empresários do comércio.

Fale conosco, queremos ajudar, melhorar e proteger seu negócio. Entre em contato através dos nossos canais

Ligue 11 2858-8400,  FALE CONOSCO  ou ainda pelo WhatsApp 11 2858-8402