Representatividade

Fim da escala 6×1 pode elevar custos do varejo em até R$ 4,8 bilhões ao ano

10 de abril de 2026

Estudo elaborado pelo Sindilojas-SP, com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2024, aponta que eventuais mudanças na jornada semanal de trabalho — como a redução de 44 para 40 horas e o fim da escala 6×1 — podem gerar um impacto expressivo nos custos operacionais do comércio varejista da cidade de São Paulo.

Atualmente, o setor reúne cerca de 595,2 mil vínculos formais, sendo que aproximadamente 87,5% dos trabalhadores cumprem jornada de 44 horas semanais — modelo diretamente associado à escala 6×1, predominante na atividade varejista.

Impacto profundo

A redução da jornada, sem alteração proporcional dos salários, implica aumento direto no custo da hora trabalhada. Considerando o rendimento médio de R$ 3.691,42 no setor, essa mudança elevaria significativamente a despesa com pessoal. Em projeção anual, o impacto pode chegar a aproximadamente R$ 2,4 bilhões, já atualizados pela inflação.

Esse cenário se intensifica com a eventual substituição da escala 6×1 pela 5×2. A reorganização da operação para manter o funcionamento dos estabelecimentos ao longo da semana exigiria ajustes estruturais que ampliam ainda mais os custos. Nesse caso, o impacto adicional pode atingir cerca de R$ 4,8 bilhões ao ano, considerando valores corrigidos.

Elevação de custos operacionais

Além da elevação direta da folha de pagamento, as empresas também teriam de lidar com outros custos operacionais, como reestruturação de turnos, revisão de jornadas, adequação de processos e possíveis investimentos em tecnologia para compensar perdas de eficiência. Mesmo com essas medidas, o impacto financeiro tende a permanecer elevado.

Para grande parte do varejo — especialmente micro e pequenas empresas, que representam a maioria do setor e operam com margens reduzidas — a absorção desses custos se mostra altamente desafiadora. O aumento das despesas pode pressionar o equilíbrio financeiro dos negócios, afetando a capacidade de investimento, manutenção das operações e competitividade.

Negociação coletiva

Diante desse contexto, o Sindilojas-SP avalia que mudanças estruturais na jornada de trabalho exigem análise aprofundada de seus efeitos econômicos e operacionais. A adoção de soluções por meio da negociação coletiva segue sendo o caminho mais adequado, permitindo ajustes compatíveis com as particularidades do setor e evitando impactos desproporcionais sobre a atividade varejista.

O Sindilojas São Paulo reconhece a importância do debate sobre a evolução das relações de trabalho, mas ressalta que mudanças dessa magnitude devem ser conduzidas com base em dados concretos, avaliação de impacto e diálogo institucional.

Equilíbrio

O equilíbrio entre a valorização do trabalho e a livre iniciativa, fundamentos da ordem econômica constitucional, exige que transformações estruturais sejam implementadas com responsabilidade, de modo a evitar efeitos contrários aos objetivos pretendidos.

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