Selic cai para 13,75%, mas crédito caro ainda desafia comércio
O Banco Central reduziu nesta quarta-feira a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual, levando os juros básicos de 14% para 13,75% ao ano. A decisão dá continuidade ao processo de flexibilização monetária, mas deixa evidente que o Copom segue adotando uma estratégia conservadora. A autoridade monetária aproveitou a melhora recente dos indicadores de inflação, mas demonstra considerar que as pressões sobre os preços ainda não foram completamente afastadas.
Evolução recente da Taxa Básica de Juros (SELIC) – %

Fonte: Banco Central / Elaboração: Sindilojas-SP
O comportamento do IPCA nos últimos meses ajudou a criar as condições para a redução. O índice passou de uma alta de 0,16% em junho para 0,07% em julho e apresentou deflação de 0,32% em agosto. O dado de agosto, entretanto, foi excepcionalmente influenciado pelo bônus de Itaipu, que reduziu as tarifas de energia elétrica e teve impacto significativo sobre a inflação do mês.
É verdade, portanto, que a inflação deu um importante refresco, mas esse movimento não deve ser confundido com uma mudança definitiva de trajetória. A partir de setembro, a tendência é de recomposição das taxas mensais, fazendo com que o IPCA termine 2026 próximo de 5%. Esse resultado ficará acima do teto de 4,5% considerado pelo Banco Central dentro do regime de metas e continuará limitando o ciclo de cortes no juro.
Tendência
Nesse contexto, a expectativa é de que a Selic permaneça em 13,75% na próxima reunião. Um eventual novo corte em 2026 dependeria de uma melhora adicional do ambiente inflacionário e, mesmo nesse caso, provavelmente ficaria restrito a novamente 0,25 ponto percentual. Em comunicado, o BC também mostrou cautela pelos riscos externos, especialmente diante da possibilidade de novas oscilações nos preços das commodities, além dos efeitos climáticos sobre a oferta agrícola e os preços domésticos.
Cenário do comércio
Para o comércio varejista, a principal esperança é que a redução da Selic efetivamente chegue ao mercado de crédito. Até aqui, a velocidade de queda dos juros básicos não tem sido acompanhada na mesma proporção pelas taxas cobradas de empresas e consumidores. Em julho, o custo médio das operações de crédito com recursos livres permanecia acima de 60% ao ano para pessoas físicas e de 25% para pessoas jurídicas (maior patamar desde 2017), segundo o Banco Central. Nesse cenário, torna-se cada vez mais desafiador e, para muitas empresas, economicamente inviável sustentar uma operação empresarial saudável convivendo com um custo financeiro dessa magnitude.
Duas frentes
O varejo acaba submetido à pressão dos juros em duas frentes. De um lado, o consumidor enfrenta um crédito caro, o que compromete parcela relevante de sua renda e reduz sua capacidade de realizar novas compras, enfraquecendo as vendas. De outro, as empresas convivem com custos elevados para capital de giro, antecipação de recebíveis, estoques e investimentos, justamente quando o consumo dá sinais de desaceleração. A redução da Selic é, portanto, importante, mas o seu efeito sobre a atividade comercial dependerá de quanto dessa queda chegar efetivamente ao bolso do consumidor e ao caixa das empresas, permitindo algum respiro financeiro para atravessar esse ambiente de demanda arrefecida.
Departamento de Economia e Tributação
Dentro de sua estrutura operacional, o Sindilojas-SP possui o Departamento de Economia e Tributação, objetivando levar ao empresário do comércio varejista um rol de informações relacionadas à conjuntura macroeconômica, imprimindo sobre estas as particularidades do setor do varejo.
O Sindilojas-SP leva em consideração o fato de que temáticas como obrigações fiscais, carga tributária e questões relativas à recente regulamentação da Reforma estarão permanentemente presentes no dia a dia dos empresários do comércio.
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