Gestão

A queda de temperatura e as oportunidades ao varejo

20 de maio de 2026

Ainda que as projeções climáticas apontem para um inverno menos rigoroso neste ano, especialmente no início do 2° semestre, diante da expectativa de avanço do fenômeno El Niño, a sazonalidade do frio continua sendo um evento conhecido e previsível, que precisa estar incorporado ao calendário estratégico das empresas. Lembrando que o inverno começa em junho, mês de Dia dos Namorados, Copa do Mundo e que, historicamente para alguns segmentos, disputa com maio a liderança do ranking de melhor mês de vendas do varejo paulistano nos primeiros semestres.

O erro de muitos varejistas é interpretar um inverno menos intenso como ausência de oportunidades. Na prática, o cenário exige apenas uma adaptação mais inteligente do mix de produtos, da comunicação e da velocidade operacional das lojas. Com temperaturas menos extremas e períodos de frio mais curtos e localizados, itens de meia estação tendem a ganhar protagonismo.

Tendências de consumo

No setor de vestuário, por exemplo, peças como jaquetas leves, moletons, tricôs finos, calças de tecido confortável, pijamas, meias e conjuntos casuais podem apresentar maior giro do que produtos tradicionalmente associados ao frio intenso, como casacos pesados. Já no segmento de calçados, tênis casuais, botas leves, sapatênis e modelos fechados ganham espaço diante da mudança de comportamento do consumidor. Em um ambiente de consumo mais seletivo, marcado pelos elevados níveis de comprometimento de renda das famílias, o consumidor busca utilidade, versatilidade e percepção clara de custo-benefício. Segundo a FecomercioSP, em março 71,4% das famílias paulistanas estavam endividadas e 20,9% inadimplentes. Isso exige do varejista uma exposição mais objetiva dos produtos, destacando conforto, durabilidade, possibilidade de uso em diferentes ocasiões e melhor relação entre preço e utilidade.

Adequações estratégicas

A adequação das vitrines, expositores internos e redes sociais torna-se fundamental para acelerar a conversão em períodos de temperatura mais baixa. A comunicação visual precisa ser rápida e conectada ao clima do momento. Se uma frente fria está prevista para os próximos dias, o varejista deve antecipar campanhas digitais, reorganizar áreas quentes da loja e criar combinações prontas de produtos para facilitar a decisão de compra.

Em lojas de roupas, por exemplo, a montagem de “looks prontos” e kits promocionais pode estimular o aumento do ticket médio, especialmente chamando atenção do consumidor em seu trajeto rotineiro de ir ao trabalho, escola ou outros compromissos, onde a presença do cliente em ambientes externos aumenta a chance de maior exposição a temperaturas mais frias e, consequentemente, maior probabilidade de que ele busque novos itens/produtos.

Em supermercados, cresce a procura por chocolates, cafés, sopas, massas, vinhos, caldos, fondues e bebidas quentes. No setor de casa e decoração, mantas, tapetes, aromatizadores, velas, aquecedores portáteis e itens ligados ao conforto doméstico tendem a ganhar relevância. Já as farmácias ampliam a demanda por hidratantes, vitaminas, antigripais, chás e produtos para cuidados respiratórios. Até mesmo a busca por resistências de chuveiros em lojas de materiais de construção e utilidades domésticas podem ser mais bem observadas.

Margens

Outro ponto importante é que, embora itens tipicamente de inverno possam apresentar menor giro, por vezes eles continuam oferecendo margens mais elevadas. Isso permite estratégias mais eficientes de precificação, kits promocionais e ações de “compre junto”, elevando o ticket médio mesmo em um ambiente de consumo mais apertado.

Além de atenção e ações planejadas para este período, o Sindilojas SP recomenda aos gestores evitar excessos de estoques em produtos muito específicos de frio intenso, reduzindo riscos de encalhe, perda de capital de giro e a necessidade de liquidações agressivas (nem sempre com sucesso) ao final da estação. O varejista que acompanhar diariamente a previsão do tempo e atuar de forma ágil frente às mudanças climáticas terá vantagem competitiva importante, aproveitando janelas mesmo curtas de frio para estimular vendas e aumentar fluxo nas lojas físicas e digitais.

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