Gestão

Varejo paulistano deve crescer 2% no Dia dos Namorados

5 de junho de 2026

O comércio varejista de São Paulo/SP deve registrar crescimento moderado nas vendas do Dia dos Namorados em 2026. Para o Sindilojas-SP, a estimativa é de que o faturamento bruto dos segmentos do varejo mais impactados pela data avance cerca de 2% em relação ao mesmo período do ano passado, pouco acima da projeção ao longo do mês de junho, que é de 1,1%.

Embora o cenário econômico ainda conte com fatores favoráveis ao consumo, especialmente um mercado de trabalho que segue relativamente aquecido e sustentando a massa de renda das famílias, a combinação de crédito caro, elevado comprometimento dos orçamentos domésticos com dívidas e preços ainda elevados limita uma expansão mais robusta das vendas. Sobre o alto comprometimento de renda dos consumidores, segundo a FecomercioSP, 72,9% das famílias paulistanas estão endividadas (maior nível desde maio de 2023) e 21% inadimplentes (com dívidas em atraso).

Inflação como desafio

A inflação continua sendo um dos principais desafios para o consumidor, inclusive em categorias tradicionalmente associadas ao Dia dos Namorados. Diversos produtos e serviços frequentemente escolhidos como presentes ou experiências para a data registraram elevações de preços no período, reduzindo o poder de compra das famílias e influenciando tanto a escolha dos presentes quanto o valor desembolsado nas compras.

Dados do IPCA-15 de maio, divulgado pelo IBGE, mostram que a inflação acumulada em 12 meses alcançou 5,07% na Região Metropolitana de São Paulo.

Comportamento dos preços

Entre os produtos tradicionalmente associados ao Dia dos Namorados, o comportamento dos preços foi bastante heterogêneo. Enquanto televisores e celulares registraram redução de preços, movimento que pode favorecer inclusive as vendas associadas à proximidade da Copa do Mundo, itens como perfumes, roupas masculinas e femininas, sandálias/chinelos, tênis e relógios acumularam altas abaixo da inflação média. Na outra ponta, joias, bijuterias e chocolates apresentaram os aumentos bem mais expressivos do período.

Mesmo os consumidores que pretendem substituir ou complementar a compra de presentes por experiências deverão encontrar preços mais elevados. Gastos com alimentação fora do domicílio, hospedagem e atividades de lazer, como cinema, teatro e concertos, acumularam nos últimos 12 meses variações superiores à inflação média da Grande São Paulo.

Evolução do IPCA-15 de maio de 2026 por itens relacionado ao Dia dos Namorados – REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO

Dinâmica particular em 2026

Celebrado em 12 de junho, o Dia dos Namorados permanece entre as principais sazonalidades do primeiro semestre para segmentos como vestuário (segmento que deve crescer até 4,4% no mês de junho), calçados, cosméticos, perfumaria, joias, flores, chocolates, eletrônicos, gastronomia e hotelaria. No entanto, o comportamento do consumidor segue marcado por maior cautela, pesquisa de preços e busca por alternativas que conciliem valor, comodidade, utilidade e significado emocional.

Neste ano, porém, o calendário reserva um fator adicional capaz de influenciar o comportamento do consumidor e a distribuição dos gastos das famílias: a Copa do Mundo. A competição terá abertura na véspera do Dia dos Namorados, enquanto a estreia da Seleção Brasileira ocorrerá já no dia 13 de junho, apenas um dia após a data comemorativa.

Essa proximidade entre os dois eventos cria uma dinâmica particular para o varejo. Ao mesmo tempo em que o Dia dos Namorados estimula compras ligadas ao presente e à celebração afetiva, a Copa do Mundo tende a direcionar parte do orçamento das famílias para gastos relacionados ao entretenimento, confraternizações e preparação para acompanhar os jogos.

Geração de oportunidades

A expectativa é que essa combinação possa gerar oportunidades para diversos segmentos. Enquanto os setores tradicionalmente beneficiados pelo Dia dos Namorados devem concentrar o fluxo de consumidores nos dias que antecedem a data, atividades ligadas ao consumo coletivo, como alimentos, bebidas, eletroeletrônicos, artigos esportivos e itens de conveniência, podem ganhar impulso já na sequência, embaladas pelo início da competição.

Ambiente econômico e restrições

Por outro lado, o ambiente econômico ainda impõe restrições importantes. As taxas de juros permanecem em patamar elevado, o acesso ao crédito segue mais seletivo e o comprometimento da renda das famílias com financiamentos e outras obrigações financeiras continua acima da média histórica. Esse contexto reduz o espaço para compras de maior valor e contribui para um crescimento mais contido do varejo.

Expectativa

Assim, a expectativa de avanço de 2% nas vendas do Dia dos Namorados representa um resultado positivo para o varejo da Capital, mas ainda compatível com um ambiente de consumo marcado por cautela. Para os lojistas, a principal oportunidade estará na combinação entre o apelo emocional da data, em meio a temperaturas mais baixas (em São Paulo/SP, a previsão é que a temperatura mínima entre os dias 10 e 12 de junho beire os 10°) e em um ambiente de mobilização gerado pela Copa do Mundo, fatores que poderão contribuir para ampliar o fluxo de consumidores e sustentar o desempenho do varejo ao longo de junho.

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