Notícias do Departamento de Economia e Tributação

Juro do crédito empresarial atinge maior nível desde 2017

3 de julho de 2026

O crédito para as empresas voltou a atingir um dos momentos mais caros da última década. Segundo dados do Banco Central, a taxa média das operações de crédito com recursos livres para pessoas jurídicas alcançou, em maio passado, 1,89% ao mês, o equivalente a 25,19% ao ano, o maior nível desde julho de 2017. O dado evidencia um ambiente financeiro pressionando justamente as empresas responsáveis por investir, gerar empregos e sustentar a atividade econômica.

Evolução da taxa média anual de juros das operações de crédito com recursos livres no Brasil, nos meses de dezembro – Pessoas Jurídicas (%)

Fonte: BCB / Elaboração: Sindilojas-SP

Embora a taxa básica de juros (Selic) não seja o único fator que determina o custo do crédito, ela exerce forte influência sobre todo o mercado financeiro. Em um cenário de Selic elevada, o custo de captação das instituições financeiras aumenta, levando bancos e demais agentes de crédito a repassar parte desse custo às empresas. O resultado é um financiamento mais caro justamente em um momento em que muitos negócios convivem com elevados níveis de endividamento e de inadimplência.

Como forma de auxiliar o varejista, o Sindilojas-SP comparou as taxas médias de juros das dez principais modalidades de crédito utilizadas pelas empresas entre maio de 2025 e maio de 2026. Embora a taxa média geral tenha subido apenas de 1,82% para 1,89% ao mês, algumas linhas registraram altas mais expressivas, como a conta garantida (que atingiu 4,18% ao mês), o capital de giro rotativo (que atingiu 2,59% ao mês) e o cartão de crédito rotativo, que alcançou elevados 11,01% ao mês. Já o cheque especial variou menos, mas se manteve na liderança como a modalidade com os juros mais elevados, aos 13,58% ao mês.

Evolução da taxa média MENSAL dos juros em operações de crédito às Pessoas Jurídicas – Brasil (%)


Análise

Os reflexos desse cenário são particularmente intensos para o comércio varejista, que acaba sendo duplamente impactado pelos juros elevados. De um lado, o empresário enfrenta um aumento expressivo no custo financeiro de sua própria operação. Capital de giro, financiamento de estoques, antecipação de recebíveis e investimentos em expansão tornam-se mais caros, reduzindo margens e levando muitas empresas a postergar projetos de modernização ou crescimento. Além disso, o aumento da inadimplência eleva a percepção de risco das instituições financeiras, tornando o crédito mais restrito e oneroso, especialmente para empresas que já apresentam elevado nível de endividamento. E a perspectiva para os próximos meses tampouco é animadora.

Com a inflação persistindo acima do esperado, as projeções para a Taxa Selic foram revisadas para cima. Se no início de 2026 esperava-se que os juros básicos encerrassem o ano pouco acima de 12% ao ano, hoje o cenário mais provável é de manutenção em torno de 14% ao ano até o fim de 2026, prolongando o período de crédito caro para as empresas.

 Outro lado

Do outro lado do balcão, o varejo também sente os efeitos sobre seus clientes. Com o crédito mais caro e parcelas mais elevadas, as famílias tendem a reduzir o consumo financiado, priorizar despesas essenciais e adiar compras de maior valor, comprometendo o desempenho das vendas. Em outras palavras, o setor sofre tanto pelo aumento do custo de sua operação quanto pela perda de dinamismo da demanda. Diante desse ambiente, a contratação de novos empréstimos exige uma avaliação criteriosa, considerando se o retorno esperado supera o elevado custo do capital.

Gestão financeira

Mais do que nunca, fortalecer a gestão financeira torna-se um diferencial competitivo. Preservar a liquidez, controlar rigorosamente o fluxo de caixa, negociar prazos, otimizar estoques e selecionar investimentos capazes de gerar retorno compatível com o custo do dinheiro serão fatores essenciais para atravessar um cenário em que os juros deverão permanecer elevados por mais tempo do que se estimava.

Departamento de Economia e Tributação

Dentro de sua estrutura operacional, o Sindilojas-SP possui o Departamento de Economia e Tributação, objetivando levar ao empresário do comércio varejista um rol de informações relacionadas à conjuntura macroeconômica, imprimindo sobre estas as particularidades do setor do varejo.

O Sindilojas-SP leva em consideração o fato de que temáticas como obrigações fiscais, carga tributária e questões relativas à recente regulamentação da Reforma estarão permanentemente presentes no dia a dia dos empresários do comércio.

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