Notícias do Departamento de Economia e Tributação

Emprego: comércio paulistano tem pior maio e pior início desde 2020

2 de julho de 2026

Pelo segundo mês seguido o comércio paulistano, setor que atualmente emprega quase 894 mil funcionários, possuiu perda de vagas. Depois de quase 1,8 mil postos de trabalho a menos em abril, em maio a perda foi de tímidos seis empregos celetistas, segundo o Novo Caged. Para tanto, 41.590 admissões foram registradas, contra 41.596 desligamentos.

Em comparação com maio de 2025, houve significativa piora do indicador, dado que naquele mês o saldo positivo de 2.881 vagas havia sido aferido no comércio da capital paulista. É relevante dizer, inclusive, que este saldo negativo de maio de 2026 é o primeiro para o mês desde 2020, quando devido aos impactos iniciais da pandemia da Covid, 11,7 mil empregos haviam sido extintos no quinto mês daquele ano.

Evolução do saldo mensal de empregos celetistas no comércio paulistano

Fonte: Novo Caged / Elaboração e cálculos: Sindilojas-SP

Dentre as três divisões que formam o comércio, a maior perda em maio ocorreu no varejo, que concentra 65% do mercado de trabalho de toda atividade comercial e amargou um saldo negativo de 361 vagas. Dentre os 75 ramos do comércio varejista, a perda de empregos foi liderada pelos hipermercados locais, com 212 vagas a menos.

Movimentação do emprego formal no comércio paulistano em maio de 2026 – Por divisões comerciais

O resultado acumulado de janeiro a maio em 2026 mostra uma perda de 4.821 empregos com carteira assinada no comércio paulistano. Este também é o pior resultado para o período desde 2020, como pode ser visto no gráfico abaixo.

Evolução dos saldos de empregos celetistas no comércio paulistano – Períodos de janeiro a maio – 2020 a 2026


Fonte: Novo Caged / Elaboração e cálculos: Sindilojas-SP

Novamente dentre as três divisões, enquanto o comércio e reparação de veículos e o comércio atacadista ainda geraram empregos e amenizaram a perda significativa da divisão do varejo, esta última amargou sozinha um saldo negativo de quase 6,4 mil empregos nos primeiros cinco meses de 2026. No período, destaque à perda de 2.674 empregos no ramo varejista de vestuário e acessórios.

Movimentação do emprego formal no comércio paulistano no acumulado de janeiro a maio de 2026 – Por divisões comerciais

Análise econômica

Era aguardado um cenário de aceleração do emprego com certeira assinada no comércio paulistano no mês de maio, seja pela presença do Dia das Mães e proximidade do Dia dos Namorados, além da influência inicial de Copa do Mundo e até mesmo das festas juninas. Não foi o que ocorreu. O emprego andou de lado no mês, marcando o pior resultado desde 2020, seja avaliando isoladamente este quinto mês do ano, seja observando o acumulado desde janeiro.

Emprego sempre será uma variável de investimento empresarial, estando, portanto, dependente das condições financeiras dos empregadores, bem como de sua confiança a médio e longo prazo para que seja tomada a decisão de empregar mais. Quando o aumento do quadro deixa de acontecer, normalmente é porque o empresário enfrenta dificuldades nas vendas atuais e, ao mesmo tempo, enxerga um cenário pouco favorável para os próximos meses. Pode-se dizer que estas são realidades vivenciadas pelo comerciante paulistano.

Diagnósticos

Mesmo sabendo da sazonalidade negativa do varejo de vestuário e acessórios nos inícios de ano, com a dispensa de trabalhadores contratados tempo rariamente para as festas de fim de ano, em 2026 não somente o saldo negativo deste ramo foi mais forte, como o início da recuperação do segmento está mais demorada. Alia-se a isso os negativos números de hipermercados e supermercados, setor de essencialidade, mas que também passa por evidente ajuste de seu mercado de trabalho.

Em resumo, as dificuldades do emprego no comércio se devem a um aspecto mais amplo, proveniente do desafiador cenário do consumo das famílias, frente a preços, juros e níveis de comprometimento de renda elevados. Isso impacta as vendas comerciais e afeta diretamente a capacidade e confiança do setor em gerar postos de trabalho. Os números de maio reforçam que a desaceleração do emprego deixou de ser um episódio pontual e passa a sinalizar uma mudança mais consistente na dinâmica do comércio paulistano. O Sindilojas-SP mantém a projeção de um mês de junho melhor ao indicador, mas não deixa cada vez mais de ser uma esperança contida.

Departamento de Economia e Tributação

Dentro de sua estrutura operacional, o Sindilojas-SP possui o Departamento de Economia e Tributação, objetivando levar ao empresário do comércio varejista um rol de informações relacionadas à conjuntura macroeconômica, imprimindo sobre estas as particularidades do setor do varejo.

O Sindilojas-SP leva em consideração o fato de que temáticas como obrigações fiscais, carga tributária e questões relativas à recente regulamentação da Reforma estarão permanentemente presentes no dia a dia dos empresários do comércio.

Fale conosco, queremos ajudar, melhorar e proteger seu negócio. Entre em contato através dos nossos canais

Ligue 11 2858-8400,  FALE CONOSCO  ou ainda pelo WhatsApp 11 2858-8400