Inflação desacelera além do esperado em junho
A inflação brasileira perdeu intensidade em junho. Segundo o IBGE, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,16% no mês, desacelerando de forma significativa em relação aos 0,58% registrados em maio. O resultado ficou também muito abaixo das expectativas do mercado financeiro. Na edição mais recente do Boletim Focus, divulgada pelo Banco Central poucos dias antes da divulgação do índice, a mediana das projeções apontava alta de 0,32%, exatamente o dobro da variação efetivamente observada.
Com o resultado de junho, o IPCA acumulou 3,36% no ano e 4,64% nos últimos 12 meses. Embora o indicador em 12 meses tenha recuado em relação aos 4,72% registrados em maio, ele permanece acima do centro da meta de inflação de 3% perseguida pelo Banco Central.
Evolução índice mensal e acumulado em 12 meses do IPCA (%)

Fonte: IBGE / Elaboração: Sindilojas-SP
Entre os nove grupos pesquisados pelo IBGE, os principais movimentos do mês vieram das quedas nos preços dos alimentos (-0,24%) e dos serviços educacionais (-0,02%), além da desaceleração dos transportes (0,17%), responsáveis por aliviar o índice geral.
No caso específico dos alimentos, destaque à deflação da alimentação dentro do domicílio (-0,39%), puxada especialmente pelas quedas dos preços das frutas (-1,58%), carnes (-0,64%), pescados (-0,57%) e aves e ovos (-0,71%).
Índice de Preços ao Consumidor Amplo (%) de junho de 2026, por grupos

Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação das famílias com renda de um a cinco salários mínimos, também apresentou desaceleração em junho, aos 0,14%. Em 12 meses o indicador passou dos 4,42% para agora 4,33%.
Evolução índice mensal e acumulado em 12 meses do INPC

Fonte: IBGE / Elaboração: Sindilojas-SP
Análise econômica
A inflação do último mês do primeiro semestre apresentou um ritmo mais moderado do que o esperado, trazendo um alívio pontual para consumidores e empresas. O IPCA de junho veio na metade da projeção do mercado, indicando que parte das pressões inflacionárias perdeu intensidade mais rapidamente do que se esperava. Ainda assim, o resultado deve ser interpretado com cautela.
Apesar da desaceleração mensal, a inflação permanece acima do centro da meta perseguida pelo Banco Central, refletindo as pressões acumuladas ao longo do primeiro semestre, especialmente com os aumentos de alimentos, bebidas e combustíveis, que continuam reduzindo o poder de compra das famílias.
Cenário para o varejo
Para o empresário do varejo, o resultado representa uma melhora na margem, mas ainda não caracteriza uma mudança definitiva de cenário. A retirada do subsídio de R$ 0,44 por litro da gasolina, cuja decisão foi adiada pelo Ministério da Fazenda, poderá gerar novas pressões sobre os custos de transporte e logística caso seja confirmada.
Além disso, enquanto a inflação permanecer distante da meta do Banco Central, a tendência é de manutenção de uma política monetária cautelosa, preservando o crédito em patamares elevados. Nesse contexto, controle de custos, gestão eficiente dos estoques e planejamento financeiro continuam sendo fundamentais para preservar margens e aproveitar uma eventual recuperação inicial do consumo ao longo do segundo semestre.
Departamento de Economia e Tributação
Dentro de sua estrutura operacional, o Sindilojas-SP possui o Departamento de Economia e Tributação, objetivando levar ao empresário do comércio varejista um rol de informações relacionadas à conjuntura macroeconômica, imprimindo sobre estas as particularidades do setor do varejo.
O Sindilojas-SP leva em consideração o fato de que temáticas como obrigações fiscais, carga tributária e questões relativas à recente regulamentação da Reforma estarão permanentemente presentes no dia a dia dos empresários do comércio.
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