Notícias do Departamento de Economia e Tributação

Inflação mais comportada permite nova redução da Selic

6 de agosto de 2026

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa Selic de 14,25% para 14,00% ao ano representa a quarta queda consecutiva dos juros básicos da economia brasileira. O movimento reflete um ambiente de inflação mais favorável, permitindo ao Banco Central dar continuidade ao processo de flexibilização monetária iniciado neste ano.

Evolução recente da Taxa Básica de Juros (SELIC) – %

Fonte: Banco Central / Elaboração: Sindilojas-SP

O principal fator que sustentou a decisão foi o comportamento benigno dos preços. Em junho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou apenas 0,16%, enquanto as projeções para julho apontam inflação ainda mais baixa, próxima de 0,10%. Para agosto, o Sindilojas-SP trabalha inclusive com a possibilidade de uma deflação ao redor de 0,20%, resultado fortemente influenciado pelo crédito do Bônus de Itaipu nas contas de energia elétrica.

Ciclo de redução no horizonte

Esse cenário de inflação comportada entre junho e agosto reforça a perspectiva de continuidade do ciclo de redução da Selic ao longo do segundo semestre. A expectativa predominante é de que o Banco Central ainda promova ao menos mais um corte de 0,25 ponto percentual até o fim de 2026. Ainda assim, o ritmo dessa flexibilização deverá permanecer cauteloso. Embora a inflação venha surpreendendo positivamente no curto prazo, as projeções para o fechamento de 2026 continuam ao redor de 5%, patamar acima do teto da meta de inflação, de 4,5%, e significativamente distante do centro da meta, fixado em 3%.

Expectativas para o empresariado

Embora o cenário inflacionário recente favoreça a continuidade da queda dos juros, é importante que o empresariado mantenha expectativas realistas quanto à velocidade desse processo. A política monetária é conduzida com prudência, sobretudo quando a inflação ainda permanece acima da meta. Além disso, o Banco Central, em seu comunicado, mostrou-se atento a fatores que podem reacender pressões inflacionárias. O mercado de trabalho continua aquecido, sustentando o consumo das famílias, enquanto o cenário internacional permanece cercado de incertezas, com conflitos geopolíticos que afetam os preços de commodities, especialmente do petróleo e, consequentemente, dos combustíveis. Esse conjunto de fatores, aliado aos possíveis impactos de um forte El Niño na produção de alimentos explica por que a redução da Selic tende a ocorrer em pequenas etapas, mesmo diante da melhora recente da inflação.

Cenário do varejo

O comércio varejista acompanha de muito perto essa trajetória. Afinal, a Selic serve de referência para a evolução das demais taxas de juros da economia, influenciando diretamente o custo do crédito para famílias e empresas. No caso do crédito empresarial, a preocupação é ainda maior. Em 2026, a taxa média de juros das operações de crédito com recursos livres para pessoas jurídicas alcançou 25% ao ano, o maior patamar desde meados de 2017. Trata-se de um custo financeiro elevado, que encarece o capital de giro, desestimula investimentos, aumenta o custo das antecipações de recebíveis e reduz a capacidade de expansão de milhares de empresas do comércio. Ao mesmo tempo, juros elevados restringem o acesso das famílias ao crédito, limitam o consumo e acabam reduzindo o ritmo de crescimento da atividade econômica.

Embora os efeitos da redução da Selic não sejam imediatos, cada corte representa um passo importante para a diminuição do custo do dinheiro na economia. Na medida em que a inflação continue convergindo para níveis mais baixos e as incertezas, tanto internas quanto externas, diminuam, haverá espaço para uma redução mais consistente dos juros. Até lá, a expectativa é de que o crédito se torne progressivamente mais acessível, criando um ambiente mais favorável ao consumo das famílias, aos investimentos das empresas e ao fortalecimento gradual da atividade varejista ao longo dos próximos trimestres.

Departamento de Economia e Tributação

Dentro de sua estrutura operacional, o Sindilojas-SP possui o Departamento de Economia e Tributação, objetivando levar ao empresário do comércio varejista um rol de informações relacionadas à conjuntura macroeconômica, imprimindo sobre estas as particularidades do setor do varejo.

O Sindilojas-SP leva em consideração o fato de que temáticas como obrigações fiscais, carga tributária e questões relativas à recente regulamentação da Reforma estarão permanentemente presentes no dia a dia dos empresários do comércio.

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