Mesmo com possibilidade de crescimento do PIB, economia desacelera
A desaceleração da economia brasileira em 2026 está deixando de ser apenas uma projeção e se tornando cada vez mais visível nos indicadores de atividade. O cenário não é de recessão, mas de uma economia que começou o ano em ritmo relativamente forte e, gradualmente, perdeu velocidade. A grande questão, portanto, já não é se o PIB crescerá em 2026, mas quanto desse crescimento ainda estará sendo produzido nesta segunda metade do ano.
O PIB avançou 1,1% no primeiro trimestre, na comparação com os três meses anteriores, com ajuste sazonal. Em relação ao mesmo período de 2025 o aumento foi maior, de 1,8%. Para o segundo trimestre, no entanto, os indicadores apontam para um crescimento de no máximo 0,3% em relação ao primeiro. A diferença entre os dois resultados é significativa e ajuda a visualizar a dicotomia que começa a marcar 2026: um início de ano mais forte e uma segunda parte muito mais próxima da estagnação.
Contrastes
Os últimos dados setoriais divulgados pelo IBGE reforçam essa percepção. O comércio ampliado recuou 1,0% em junho, na comparação com maio, com ajuste sazonal, completando quatro meses consecutivos de queda nessa base de comparação. Apesar disso, ainda acumula crescimento de 1,9% no ano. Nos serviços, o volume permaneceu estável em junho, depois de uma queda em maio, e acumula alta de 2% no ano. Já a indústria apresentou retração de 0,9% em maio e de 1,8% em junho, embora ainda registre algum crescimento acumulado no primeiro semestre (+1,5%).
Há, portanto, uma característica importante por trás da projeção (do Boletim Focus do Banco Central) de crescimento de aproximadamente 2% para o PIB em 2026. Esse resultado é cada vez mais sustentado pelo desempenho observado no início do ano do que por uma perspectiva de aceleração nos próximos meses. Em outras palavras, a economia chega ao segundo semestre carregando parte importante do crescimento já conquistado.
Essa trajetória não chega a ser uma surpresa. Desde o início do ano, as análises de conjuntura do Sindilojas-SP já apontavam para essa possibilidade: 2026 poderia apresentar um primeiro momento de crescimento mais evidente, seguido por uma desaceleração progressiva. Os motivos também permanecem praticamente os mesmos. A política monetária continua restritiva, com juros elevados, mesmo após o início do movimento de redução da Selic. Seus efeitos sobre crédito, consumo e investimento aparecem com defasagem e continuam limitando a capacidade de expansão da economia.
Panorama do comércio
Para o comércio, essa distinção é especialmente importante. Um crescimento acumulado de 1,9% nas vendas do varejo ampliado não significa que todos os estabelecimentos estejam crescendo nessa proporção. Tampouco significa aumento equivalente de faturamento líquido ou de rentabilidade. Empresas enfrentam custos financeiros elevados (crédito caro), necessidade de capital de giro, estoques, despesas operacionais e consumidores ainda cautelosos em parte relevante das categorias de consumo. Especialmente pelo alto comprometimento de renda, maiores dificuldades para quem comercializa bens semiduráveis e duráveis.
O Brasil, portanto, pode não estar parando, mas está claramente perdendo velocidade. E essa diferença será cada vez mais importante para as empresas. O segundo semestre revelará que a economia dificilmente conseguirá sustentar o ritmo necessário para transformar o crescimento acumulado em uma expansão mais disseminada. 2026 ficará marcado como um ano em que o resultado foi construído principalmente nos primeiros meses.
Fiel da balança
Para o empresário do comércio, talvez essa seja a principal mensagem da conjuntura atual: o crescimento de 2% do PIB pode parecer confortável no papel ou nas notícias, mas a realidade dos negócios será determinada pelo ritmo e pela qualidade da atividade daqui para frente. Até porque, o planejamento para o último bimestre de 2026, com a Black Friday e Natal, já começou e sabemos que, devido a injeção do 13° salário, espera-se o sazonal aquecimento das vendas em relação aos outros meses do ano. A esperança é que, ao menos, bons resultados voltem a ser realizados, ainda que não se espere muita expansão para além do ano passado.
Departamento de Economia e Tributação
Dentro de sua estrutura operacional, o Sindilojas-SP possui o Departamento de Economia e Tributação, objetivando levar ao empresário do comércio varejista um rol de informações relacionadas à conjuntura macroeconômica, imprimindo sobre estas as particularidades do setor do varejo.
O Sindilojas-SP leva em consideração o fato de que temáticas como obrigações fiscais, carga tributária e questões relativas à recente regulamentação da Reforma estarão permanentemente presentes no dia a dia dos empresários do comércio.
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