Faturamento do varejo paulistano tem queda de 8,8% no 1° semestre de 2026
O faturamento bruto real do comércio paulistano registrou queda de 8,8% no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os números são da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV), elaborada pela FecomercioSP e com base em informações da Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo. O resultado foi também influenciado pelo desempenho de junho, última edição da pesquisa, quando as vendas recuaram mais de 10% na comparação anual.
Entre os segmentos analisados, as maiores retrações foram observadas nas lojas de eletrodomésticos, eletrônicos e departamentos (-25,0%), nos estabelecimentos de materiais de construção (-15,5%) e no grupo “outras atividades”, que reúne, entre outros ramos, combustíveis, livrarias e papelarias, (-20,1%). Também chama atenção a queda de 6,9% nos supermercados, setor de maior participação no varejo paulistano e importante termômetro do consumo “não adiável” das famílias. Por fim, mais do que analisar as atividades com maiores retrações, cabe-nos ressaltar que todas elas possuíram desempenho negativo no acumulado ano.
Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista do Estado de São Paulo: São Paulo (Capital)

Análise econômico
A pesquisa sobre o faturamento bruto real do varejo de São Paulo/SP, mostrando uma queda de 8,8% neste primeiro semestre, apenas quantifica o que já era previsto nas análises prévias ao setor em 2026. Em um cenário de alto comprometimento de renda das famílias, a tendência sem dúvidas era de retração do consumo, o que impacta diretamente o setor mais próximo deste consumidor final, o varejo.
Considerando o cenário de juros ainda muito elevados e crédito seletivo, também era aguardado que segmentos de bens semiduráveis e duráveis, como de eletrodomésticos e eletrônicos, além dos próprios materiais de construção, sentissem tal cenário de forma mais aguda. Por serem parte de uma cesta de itens com maior valor e, portanto, dependente de crédito disponível e espaço a médio prazo no orçamento de muitas famílias, seria natural que fossem os mais impactados pela desaceleração agora quantificada.
Ademais, é importante ressaltar um ponto de atenção adicional. Segmentos varejistas considerados “essenciais”, por comercializarem itens de consumo mais difícil de serem adiados, como alimentos e medicamentos, também apresentaram dificuldades neste primeiro semestre, na Capital. Supermercados viram o seu resultado recuar 6,9% e farmácias e perfumarias outros 2,1%. Esta realidade mostra, até em consonância com os resultados recentes do PIB nacional, que o consumo das famílias começa a patinar de forma mais visível e sem muitas esperanças de alguma reversão nesta segunda metade do ano. Algum alívio sazonal previsto deve ocorrer apenas com a entrada do décimo terceiro na economia e a chegada de datas especiais.
Departamento de Economia e Tributação
Dentro de sua estrutura operacional, o Sindilojas-SP possui o Departamento de Economia e Tributação, objetivando levar ao empresário do comércio varejista um rol de informações relacionadas à conjuntura macroeconômica, imprimindo sobre estas as particularidades do setor do varejo.
O Sindilojas-SP leva em consideração o fato de que temáticas como obrigações fiscais, carga tributária e questões relativas à recente regulamentação da Reforma estarão permanentemente presentes no dia a dia dos empresários do comércio.
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