Geração de empregos no comércio paulistano tem o pior mês de agosto da série
Resultado acumulado do ano tem a primeira retração de vagas para o período, desde 2020.
O comércio da cidade de São Paulo, responsável por quase 900 mil empregos com carteira assinada ativos, apresentou em agosto uma geração de 1.581 postos de trabalho, segundo o Novo Caged. O saldo positivo ocorreu após o registro de 41.986 admissões contra 40.405 desligamentos.
Este avanço mensal até foi o maior desde fevereiro, mas considerando os meses de agosto desde que o Novo Caged foi instituído, a partir de 2020, tivemos a menor geração de vagas celetistas da série histórica. Em relação a agosto de 2025, por exemplo, houve uma diminuição de 67,5% do saldo positivo.
Evolução do saldo mensal de empregos celetistas no comércio paulistano

Fonte: Novo Caged / Elaboração e cálculos: Sindilojas-SP
Ainda assim, é importante citar que as três divisões que formam o comércio local mostraram evolução de empregabilidade neste oitavo mês do ano. O comércio varejista apresentou a criação de 628 vagas, o atacado de 587 e o comércio e reparação de veículos outras 366.
Movimentação do emprego formal no comércio paulistano em agosto de 2026 – Por divisões comerciais

Porém, não apenas tivemos o mês de agosto mais fraco do mercado de trabalho do comércio paulistano, como de janeiro a agosto houve a primeira retração de postos de trabalho para o período, desde 2020. Em 2026, já são 2.419 empregos com carteira assinada a menos no setor.
Evolução dos saldos de empregos celetistas no comércio paulistano – Acumulado de janeiro a agosto: 2020 a 2026

Fonte: Novo Caged / Elaboração e cálculos: Sindilojas-SP
A perda de vagas no comércio esse ano se dá exclusivamente pelo desempenho negativo da divisão do varejo que, sozinho, extinguiu com 5.841 postos de trabalho. Dentre os seus mais de 70 segmentos, os destaques negativos aos estabelecimentos varejistas de vestuário e acessórios (-2.856 vagas), seguidos dos hipermercados (-850 vagas) e lojas de departamentos (-680 vagas).
Movimentação do emprego formal no comércio paulistano no acumulado de janeiro a agosto de 2026 – Por divisões comerciais
Análise econômica
Não é incomum que o saldo de empregos do comércio em agosto seja positivo, inclusive em patamar superior ao observado em outros meses. Isso ocorre tradicionalmente em razão da proximidade da data-base de muitas atividades do setor, em 1º de setembro, que tende a desestimular desligamentos sem justa causa por parte dos empregadores, diante dos custos adicionais associados às dispensas nesse período.
Ainda assim, essa característica sazonal não foi suficiente para evitar o pior desempenho para um mês de agosto em toda a série histórica. O resultado ganha ainda mais relevância quando observado no acumulado do ano: a perda de mais de 2,4 mil postos no comércio paulistano nos oito primeiros meses de 2026 representa a primeira retração para o período desde 2020. Mais do que um resultado pontual, o dado evidencia a dificuldade enfrentada pela atividade mais próxima do consumidor final.
Segmentos
Apenas o comércio varejista eliminou mais de 5,8 mil empregos no ano, refletindo os efeitos de uma conjuntura menos favorável ao consumo das famílias, às vendas e, consequentemente, à abertura de novos postos de trabalho.
Entre os segmentos, o vestuário concentra as maiores perdas em 2026, combinando a tradicional sazonalidade negativa dos primeiros meses do ano com uma recuperação que não ganhou a tração esperada nos meses seguintes. A dificuldade, porém, não está restrita a esse segmento: ela também se espalhou por importantes atividades do varejo, como hipermercados, lojas de departamentos, calçados e eletrodomésticos e eletrônicos.
O quadro reforça a sensibilidade do comércio às condições do orçamento das famílias, ainda pressionado pelo elevado endividamento e pela inadimplência, em um ambiente de crédito caro e mais seletivo. Ao mesmo tempo, é preciso considerar que parte dos segmentos também enfrenta dificuldades para encontrar mão de obra disponível, fator que pode limitar a expansão do emprego mesmo quando há demanda por novos trabalhadores.
Em conjunto, os dados apontam para um mercado de trabalho do comércio paulistano que chega ao segundo semestre sob pressão. Enquanto o consumidor permanece limitado em sua capacidade de ampliar gastos, os empresários enfrentam um cenário que exige cautela para expandir vendas, investimentos e, sobretudo, o quadro de funcionários.
Departamento de Economia e Tributação
Dentro de sua estrutura operacional, o Sindilojas-SP possui o Departamento de Economia e Tributação, objetivando levar ao empresário do comércio varejista um rol de informações relacionadas à conjuntura macroeconômica, imprimindo sobre estas as particularidades do setor do varejo.
O Sindilojas-SP leva em consideração o fato de que temáticas como obrigações fiscais, carga tributária e questões relativas à recente regulamentação da Reforma estarão permanentemente presentes no dia a dia dos empresários do comércio.
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