Notícias do Departamento de Economia e Tributação

Comércio paulistano registra primeira perda de empregos em setembro na série do Novo Caged

5 de novembro de 2026

Com 895,6 mil trabalhadores com carteira assinada ativos, segundo o Novo Caged, o comércio paulistano fechou 804 postos de trabalho em setembro, resultado de 42.253 admissões e 43.057 desligamentos. Foi o único dos cinco grandes setores da economia a registrar um saldo negativo no mês. O resultado também interrompeu quatro meses consecutivos de crescimento e foi o pior desde abril. Além disso, foi o menor saldo para um mês de setembro desde o início do Novo Caged, em 2020.

Evolução do saldo mensal de empregos celetistas no comércio paulistano]

Fonte: Novo Caged / Elaboração e cálculos: Sindilojas-SP

Entre as três divisões que formam o setor comercial, a perda de vagas neste nono mês do ano ocorreu somente no comércio varejista (-993 vagas), divisão que concentra 65% de todo emprego do comércio da capital. E dos seus segmentos com as maiores dificuldades, destacaram-se o de vestuário (-305 vagas) e materiais de construção em geral (-116 vagas).

Como registro, enquanto o varejo perdeu empregabilidade neste último mês, o atacado, por sua vez, criou 17 vínculos e o comércio e reparação de veículos outros 172.

Movimentação do emprego formal no comércio paulistano em setembro de 2026 – Por divisões comerciais

Não somente o resultado de setembro de 2026 foi o pior para o mês desde o início da série histórica, como foi a primeira vez em que foi registrado mais desligamentos que admissões de funcionários no comércio paulistano neste mês.

Evolução dos saldos de empregos celetistas no comércio paulistano – meses de setembro: 2020 a 2026

Fonte: Novo Caged / Elaboração e cálculos: Sindilojas-SP

O saldo negativo de setembro também contribuiu para que tivéssemos no acumulado do ano uma perda de 3.032 postos de trabalho celetistas no comércio de São Paulo/SP. Este é o pior desempenho para o período janeiro a setembro, desde 2020.

E novamente o resultado negativo existiu devido à perda de vagas da divisão do comércio varejista, que extinguiu com 6.841 postos de trabalho, influenciado diretamente pelos segmentos de vestuário (-3.176 vagas) e até mesmo os hipermercados (-800 vagas).

Movimentação do emprego formal no comércio paulistano no acumulado de janeiro a setembro de 2026 – Por divisões comerciais

Análise econômica

Há sinais cada vez mais claros de que a expansão do emprego formal perde força gradualmente, em geral, no país. No comércio, a situação é mais difícil, sobretudo no varejo, que acumula perda de postos de trabalho em 2026 tanto em território nacional, quanto no estado de São Paulo e na capital paulista.

Mesmo que as contratações sazonais esperadas para outubro e novembro possam reverter o saldo negativo acumulado até setembro, elas não devem garantir que o varejo encerre 2026 com mais admissões do que desligamentos. E essa divisão concentra 65% dos empregos com carteira assinada do comércio paulistano.

O saldo negativo de setembro mostra que as perdas de empregos no varejo superaram a criação de vagas no atacado e na divisão de autopeças e veículos. No varejo, vestuário e materiais de construção foram os principais destaques negativos do mês. No acumulado dos nove meses do ano, as perdas também atingiram outros ramos importantes, como hipermercados, lojas de departamento, supermercados, cosméticos e perfumaria e calçados, entre outros.

Esse cenário preocupante já era previsto pelo Sindilojas SP em análises anteriores. O emprego acompanha o desempenho das vendas e, por isso, a queda na atividade do setor em 2026, que nasce nas dificuldades de consumo das famílias, também afeta o seu mercado de trabalho. Assim, apesar da melhora esperada para outubro e, tradicionalmente, para novembro, a perspectiva é de que o comércio paulistano encerre o ano, na melhor das hipóteses, próximo de uma estagnação. E especificamente na divisão varejista, a mais próxima do consumidor final, há grandes chances de possuirmos mais desligamentos que admissões de trabalhadores no balanço do ano.

Departamento de Economia e Tributação

Dentro de sua estrutura operacional, o Sindilojas-SP possui o Departamento de Economia e Tributação, objetivando levar ao empresário do comércio varejista um rol de informações relacionadas à conjuntura macroeconômica, imprimindo sobre estas as particularidades do setor do varejo.

O Sindilojas-SP leva em consideração o fato de que temáticas como obrigações fiscais, carga tributária e questões relativas à recente regulamentação da Reforma estarão permanentemente presentes no dia a dia dos empresários do comércio.

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