Comércio paulistano fecha vagas no 1° semestre pela primeira vez desde 2020
Dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) mostraram que em junho o comércio paulistano apresentou a criação de apenas 459 postos de trabalho com carteira assinada, após registrar 41.409 admissões contra 40.950 desligamentos. Com isso, o estoque do setor chegou a 894.660 vínculos empregatícios ativos. O resultado foi similar ao visto em maio (ver gráfico 1), mas em relação a junho de 2025 houve uma desaceleração de 84,6% na geração de empregos.
Evolução do saldo mensal de empregos celetistas no comércio paulistano

Fonte: Novo Caged / Elaboração e cálculos: Sindilojas-SP
É importante citar que dentre as três divisões que formam o setor do comércio, o varejo, que representa na Capital dois terços de todo o mercado de trabalho comercial, apresentou estabilidade em junho, após apenas 13 vagas perdidas. Por outro lado, o comércio atacadista avançou em 258 novos empregos e o comércio e reparação de veículos registrou 214 admissões a mais que desligamentos.
Movimentação do emprego formal no comércio paulistano em junho de 2026 – Por divisões comerciais

No acumulado do primeiro semestre de 2026, o mercado de trabalho do comércio paulistano se reduziu em praticamente 4 mil postos. Não somente o resultado negativo contrapõe a geração de mais de 9,3 mil vagas criadas no mesmo período do ano passado, como este foi o pior resultado desde 2020 para o indicador na primeira metade de um ano.
Evolução dos saldos de empregos celetistas no comércio paulistano – 1° semestre – 2020 a 2026

Fonte: Novo Caged / Elaboração e cálculos: Sindilojas-SP
Novamente dentre as três divisões, enquanto o comércio e reparação de veículos e o comércio atacadista ainda geraram empregos e amenizaram a perda geral, o comércio varejista apresentou sozinho um saldo negativo de 6.137 empregos. Dentre os seus 75 segmentos, as maiores perdas absolutas ocorreram no varejo de vestuário e acessórios (-2.684 vagas), nos hipermercados (-858 vagas) e supermercados (-797 vagas). A eles se seguiram as lojas de departamentos (-602 vagas) e os varejistas de calçados (-513 vagas).
Movimentação do emprego formal no comércio paulistano no no 1° semestre de 2026 – Por divisões comerciais
Análise econômica
O resultado da movimentação do emprego formal no comércio paulistano no primeiro semestre de 2026 é preocupante. Não apenas porque o comércio é o segundo maior empregador da Capital, mas principalmente porque o setor costuma ser um dos primeiros a refletir mudanças no comportamento do consumo das famílias. Quando perde empregos, o sinal emitido pela economia merece atenção. Embora o saldo negativo não seja expressivo em termos absolutos, sua ocorrência é relevante por representar uma mudança de direção do mercado de trabalho comercial.
Fica claro que o setor, que é aquele que possui a maior proximidade com o consumidor final, já mostra na prática os efeitos do orçamento familiar mais apertado e seletivo. Para além das dificuldades em encontrar mão de obra disponível.
Tanto que o faturamento bruto real apenas do varejo da capital recuou 7,8% no primeiro quadrimestre do ano, o que justifica também o negativo resultado desta divisão comercial no que tange aos seus investimentos (ou a inexistência deles) em relação a novos postos de trabalho em 2026.
Aprofundamento setorial
Mais do que descrever o cenário acima, o Sindilojas SP alerta para um aprofundamento setorial relevante. Dissemos anteriormente que os segmentos com maiores perdas de vagas em 2026 foram o varejo de vestuário, os hipermercados e os supermercados. Não é incomum o varejo de vestuário e acessórios possuir um saldo negativo acumulado na primeira metade de um ano, até porque o segmento sente os efeitos das dispensas de trabalhadores temporários em todos os primeiros trimestres do cada ano.
Em 2026, porém, o saldo negativo de quase 2,7 mil postos de trabalho nesta atividade foi 35% mais agudo que o visto no mesmo período do ano passado. E mesmo em segmentos de bens de consumo essencial, como os hipermercados e supermercados, que na primeira metade de 2025 haviam mostrado juntos uma geração de 1.674 vagas, agora passaram a apresentar uma extinção de 1.655.
Impacto das variáveis
Mais uma vez, observa-se que o resultado negativo do mercado de trabalho do comércio paulistano, especificamente do varejo, reflete os impactos dos juros elevados, crédito mais seletivo e elevado comprometimento da renda das famílias. O pouco espaço de renda disponível dos consumidores significa vendas mais fracas no varejo e, por sua vez, menor capacidade e confiança dos empregadores do setor em criar empregos.
A segunda metade do ano tende a apresentar melhora em razão da sazonalidade típica do comércio, especialmente com a aproximação da Black Friday e das vendas de Natal. Ainda assim, o desempenho observado no primeiro semestre torna improvável que o mercado de trabalho comercial repita, em 2026, o resultado de mais de 15 mil empregos gerados no ano anterior.
Departamento de Economia e Tributação
Dentro de sua estrutura operacional, o Sindilojas-SP possui o Departamento de Economia e Tributação, objetivando levar ao empresário do comércio varejista um rol de informações relacionadas à conjuntura macroeconômica, imprimindo sobre estas as particularidades do setor do varejo.
O Sindilojas-SP leva em consideração o fato de que temáticas como obrigações fiscais, carga tributária e questões relativas à recente regulamentação da Reforma estarão permanentemente presentes no dia a dia dos empresários do comércio.
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