Crédito empresarial atinge maior nível para setembro desde 2016
Após recuar mais de 1 ponto percentual em agosto, a taxa média de juros das operações de crédito com recursos livres para empresas voltou a subir em setembro, alcançando 24,37% ao ano. A alta de 0,34 ponto percentual em relação ao mês anterior levou o indicador ao maior patamar para um mês de setembro desde 2016.
Embora o percentual ainda esteja abaixo do pico recente de 25,15% ao ano, registrado em julho de 2026, a retomada da trajetória de alta acende um sinal de alerta para as empresas, diante do encarecimento do financiamento e dos possíveis efeitos sobre o fluxo de caixa e os investimentos. Para efeito de comparação, a menor taxa da série foi registrada em setembro de 2020, quando o indicador atingiu 11,45% ao ano.
Evolução da taxa média anual de juros das operações de crédito com recursos livres no Brasil – Pessoas Jurídicas (%)

Fonte: BCB / Elaboração: Sindilojas-SP
De agosto para setembro os maiores aumentos, dentre dez as principais modalidades de crédito empresarial do país, foram das seguintes linhas:
– Cheque especial: 344,70% ao ano para 357,22% ao ano (+12,52 p.p.).
– Capital de giro com prazo de até 365 dias: 22,35% ao ano para 24,38% ao ano (+2,03 p.p.).
– Capital de giro com prazo superior a 365 dias: 22,41% ao ano para 23,80% ao ano (+1,39 p.p.).
– Antecipação de faturas de cartão de crédito: 15,49% ao ano para 15,97% ao ano (+0,48 p.p.).
Por outro lado, o rotativo do cartão de crédito empresarial viu o seu juro médio anual passar de 203,50% para 166,80%, redução de 36,7 pontos percentuais, e a modalidade de conta garantida passou de 56,15% para 55,68%, recuo de 0,47 pontos percentuais.
Análise econômica
A alta dos juros do crédito empresarial volta a trazer um sinal de alerta para o varejo, sobretudo por ocorrer mesmo em um cenário de redução da Selic. Esse movimento sugere maior seletividade das instituições financeiras na concessão de empréstimos, considerando fatores como o risco das operações e os níveis de inadimplência, que também influenciam o custo do dinheiro. Para os varejistas, o encarecimento do crédito pode restringir ainda mais o acesso a recursos para financiar as operações, recompor estoques e sustentar investimentos, especialmente em um contexto de demanda ainda arrefecida.
A preocupação ganha relevância neste último trimestre do ano, período de aquecimento sazonal das vendas impulsionado pelo pagamento do 13º salário e por datas importantes para o comércio, como a Black Friday e o Natal. Diante desse cenário, torna-se fundamental que os gestores priorizem, na medida do possível, a preservação do caixa e da liquidez, com atenção redobrada aos prazos de pagamento e recebimento e ao planejamento dos estoques. O objetivo é evitar desequilíbrios financeiros e a consequente necessidade de recorrer a linhas de crédito mais caras justamente em um período decisivo para o desempenho do varejo.
Departamento de Economia e Tributação
Dentro de sua estrutura operacional, o Sindilojas-SP possui o Departamento de Economia e Tributação, objetivando levar ao empresário do comércio varejista um rol de informações relacionadas à conjuntura macroeconômica, imprimindo sobre estas as particularidades do setor do varejo.
O Sindilojas-SP leva em consideração o fato de que temáticas como obrigações fiscais, carga tributária e questões relativas à recente regulamentação da Reforma estarão permanentemente presentes no dia a dia dos empresários do comércio.
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