Inflação comportada e a esperança de juros menores
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,07% em julho, segundo dados divulgados pelo IBGE. O resultado representa uma desaceleração em relação à variação de 0,16% registrada em junho e indica mais uma perda importante de força da inflação no curto prazo. Com o resultado, o IPCA acumula alta de 3,44% no ano e de 4,44% nos últimos 12 meses, mantendo-se ainda acima da meta de inflação do Banco Central, que é de 3%, mas volta a ficar abaixo do teto dessa meta, que é de 4,5%.

Fonte: IBGE / Elaboração: Sindilojas-SP
A desaceleração observada em julho foi favorecida principalmente pelo comportamento dos preços de alimentação e bebidas (-0,67%) e transportes (0,05%), grupos que somam os maiores pesos médios no orçamento do consumidor brasileiro, analisado pelo IPCA. Em alimentação, o destaque foi a deflação de 1,14% na alimentação dentro do domicílio, puxado especialmente pelo preço do tomate (-29,09%). Já nos transportes, reduções em etanol (-2,26%), gasolina (-1,37%), óleo diesel (-1,22%) e gás veicular (-0,08%).
IPCA de julho de 2026, por grupos (%)

Como o grupo de alimentação e bebidas tem peso ainda maior à população de renda mais baixa, a sua deflação em julho levou a uma retração de 0,01% no resultado geral do INPC, índice que meda a variação e preços apenas a quem recebe até 5 salários mínimos. Isso trouxe o indicador em 12 meses para 4,10%, abaixo dos 4,33% de junho.
Evolução índice mensal e acumulado em 12 meses do INPC

Fonte: IBGE / Elaboração: Sindilojas-SP
Análise econômica
A inflação de julho traz uma notícia positiva para as famílias brasileiras e, sobretudo, confirma um movimento de desaceleração que já era esperado. O IPCA avançou apenas 0,07%, resultado favorecido principalmente pela perda de força dos preços de alimentação e bebidas, com destaque para o comportamento mais benigno dos hortifrutis, além da contribuição favorável dos combustíveis e de vestuário.
Mais do que o número cheio, chama atenção a composição do resultado: a menor pressão sobre os alimentos beneficia proporcionalmente mais as famílias de orçamento mais restrito, para as quais esses produtos têm peso maior nas despesas. Isso ajuda a explicar por que o INPC apresentou uma variação inferior ao IPCA, sinalizando uma melhora relativamente mais favorável para as famílias de menor renda.
Ao empresário do varejo, o Sindilojas-SP destaca que a inflação mais contida significa menor perda de poder de compra dos consumidores, especialmente importante em um ambiente no qual as famílias ainda convivem com elevado custo do crédito e alto comprometimento de renda. Além disso, a desaceleração dos preços reforça a possibilidade de que o Banco Central avance no processo de redução da Selic.
Olhar às empresas
Para as empresas, juros menores são relevantes não apenas pelo estímulo à demanda, mas principalmente pela possibilidade de redução do custo do crédito, favorecendo capital de giro, investimentos e decisões de expansão. Assim, o resultado dos preços em julho reforça um cenário que, mesmo cauteloso, é mais favorável tanto para o consumidor quanto para o empresário. Ademais, continua necessário acompanhar com cuidado e pragmatismo a trajetória de desinflação nos próximos meses, dado que ao menos em agosto ela deva continuar.
Departamento de Economia e Tributação
Dentro de sua estrutura operacional, o Sindilojas-SP possui o Departamento de Economia e Tributação, objetivando levar ao empresário do comércio varejista um rol de informações relacionadas à conjuntura macroeconômica, imprimindo sobre estas as particularidades do setor do varejo.
O Sindilojas-SP leva em consideração o fato de que temáticas como obrigações fiscais, carga tributária e questões relativas à recente regulamentação da Reforma estarão permanentemente presentes no dia a dia dos empresários do comércio.
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