Notícias do Departamento de Economia e Tributação

Mercado de trabalho do comércio paulistano tem pior início de ano desde 2020

1 de junho de 2026

O comércio paulistano, setor responsável por 893,6 mil empregos com carteira assinada ou mais de 18% de todo o mercado de trabalho do município, perdeu em abril 1.894 empregos, segundo o Novo Caged. Ao todo, foram registradas 43.022 admissões contra 44.916 desligamentos. O resultado negativo contrapõe dois aumentos mensais seguidos de vagas e é o pior para um mês de abril desde 2020, quando mais de 27 mil postos de trabalho haviam sido extintos na atividade comercial da capital no mesmo mês.

Evolução do saldo mensal de empregos celetistas no comércio paulistano

Fonte: Novo Caged / Elaboração e cálculos: Sindilojas-SP

No resultado acumulado dos quatro primeiros meses de 2026, o comércio de São Paulo/SP sentiu uma redução de mais de 5 mil postos de trabalho celetistas. O resultado é também o pior desde o visto em 2020 e contrapõe os números de 2023 a 2025, onde nos primeiros quadrimestres todos haviam registrado algum crescimento de empregabilidade.

Evolução dos saldos de empregos celetistas no comércio paulistano – primeiros quadrimestres de 2020 a 2026

Fonte: Novo Caged / Elaboração e cálculos: Sindilojas-SP

Dentre as três divisões que formam o comércio, a maior perda em abril ocorreu no varejo, que concentra 65,1% do mercado de trabalho de toda atividade comercial paulista e amargou um saldo negativo de 1.867 vagas. Dentro do comércio varejista, os segmentos com os resultados negativos mais agudos foram os supermercados (-496 vagas), hipermercados (-240 vagas) e as padarias (-177 vagas).

Movimentação do emprego formal no comércio paulistano em abril de 2026 – Por divisões comerciais

Já no período de janeiro a abril, o saldo negativo no total do comércio (-5.043 vagas) também ocorreu pela significativa retração da divisão varejista (-6.192 vagas). No acumulado deste período, e novamente considerando os ramos do varejo, os saldos negativos mais fortes foram das lojas de vestuário e acessórios (-2.746 vagas), seguida dos supermercados (-688 vagas) e dos hipermercados (-525 vagas).

Movimentação do emprego formal no comércio paulistano no 1° quadrimestre de 2026 – Por divisões comerciais

Análise econômica

O resultado de abril e, consequentemente, do primeiro quadrimestre de 2026, reforça um cenário preocupante para o mercado de trabalho do comércio paulistano, tendência que o Sindilojas-SP já vinha alertando nos últimos meses: a perda gradual de fôlego do setor na geração de empregos.

Historicamente, o comércio costuma registrar saldos negativos de vagas no início do ano, reflexo do desligamento de trabalhadores temporariamente contratados para o período de festas de fim de ano, especialmente no varejo de vestuário, calçados e supermercados. Contudo, esse movimento costuma se concentrar entre janeiro e, em menor intensidade, fevereiro.

Por isso, chama atenção a retração observada em abril, sobretudo por ter sido puxada pelo varejo de gêneros alimentícios, segmento ligado ao consumo essencial e, portanto, tradicionalmente mais resiliente às oscilações econômicas.

O dado sinaliza um enfraquecimento mais disseminado da atividade comercial e do consumo das famílias.

Pior início desde 2020

A preocupação também vai além do desempenho isolado de abril. O saldo acumulado dos quatro primeiros meses do ano configura o pior início de ano para o emprego no comércio paulistano desde 2020, período marcado pelos primeiros e mais severos impactos da pandemia sobre a economia.

Em um contexto de crédito caro, elevado comprometimento da renda das famílias com dívidas e menor capacidade de consumo, a tendência é de manutenção de um ambiente mais desafiador para as vendas e, consequentemente, para a geração de empregos no setor.

Perspectiva de melhora

O Sindilojas-SP avalia que os resultados do varejo tendem a apresentar alguma melhora a partir de maio e junho, meses tradicionalmente favorecidos por datas comemorativas importantes, como Dia das Mães e Dia dos Namorados, além do aumento pontual do consumo relacionado à Copa do Mundo e às festas juninas.

Ainda assim, mesmo que o desempenho dos próximos meses seja suficiente para reverter a perda de cerca de 5 mil vagas registrada no primeiro quadrimestre, dificilmente o comércio conseguirá repetir, em 2026, o resultado observado em 2025, quando o setor encerrou o ano com saldo positivo de 15,8 mil empregos formais gerados.

Departamento de Economia e Tributação

Dentro de sua estrutura operacional, o Sindilojas-SP possui o Departamento de Economia e Tributação, objetivando levar ao empresário do comércio varejista um rol de informações relacionadas à conjuntura macroeconômica, imprimindo sobre estas as particularidades do setor do varejo.

O Sindilojas-SP leva em consideração o fato de que temáticas como obrigações fiscais, carga tributária e questões relativas à recente regulamentação da Reforma estarão permanentemente presentes no dia a dia dos empresários do comércio.

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