Varejo paulistano perde 5,4 mil vagas no 1° bimestre
Mesmo com saldo positivo, setor do varejo teve o pior início de ano desde 2022.
O comércio varejista da capital, responsável por 605,7 mil empregos celetistas ativos ou por praticamente 12% de todo o mercado de trabalho paulistano, terminou o mês de fevereiro com uma adição de 1.129 empregos, após 31.467 admissões e 30.338 desligamentos. O saldo ainda que positivo, e interrompendo duas retrações mensais seguidas, foi 60% menor em relação à geração observada em fevereiro do ano passado.
Mesmo com esta pequena evolução na última edição mensal registrada pelo Novo Caged, no acumulado do primeiro bimestre o varejo de São Paulo/SP apresenta um saldo negativo de quase 5,4 mil vínculos empregatícios. Esta é a retração mais aguda para o período desde 2022. Em contraposição a 2025, por exemplo, a perda foi 173% maior.
Retração no segmento de vestuários
Dentre os 75 subsetores que formam o varejo da capital paulista, em fevereiro os melhores resultados ocorreram em ramos do comércio varejista de gêneros alimentícios, como supermercados (+432 vagas), minimercados e mercearias (+307 vagas) e hipermercados (+202 vagas), com bons números também nos postos de combustíveis (+232 vagas). Por outro lado, no mês, a maior retração veio dos estabelecimentos de artigos de vestuário e acessórios, com saldo negativo de 375 vagas.
Como poderá ser mais bem observado na tabela abaixo, o segmento varejista de vestuário e acessórios inclusive é o que mais influencia para que no ano o varejo paulistano esteja amargando uma retração total de 5,4 mil vagas. Somente este segmento respondeu pela extinção de 2.523 vagas, ou 46,7% de toda a perda do setor nestes primeiros dois meses.
Cinco segmentos com os MENORES saldos de empregos celetistas do varejo paulistano no 1° bimestre de 2026

Análise econômica
Era esperado que o varejo paulistano voltasse a marcar um saldo positivo de vagas nos dados de fevereiro, até pela amenização da negativa sazonalidade da dispensa de trabalhadores contratados especialmente para o fim do ano, que concentra em janeiro o seu maior volume. Ainda assim, o saldo positivo de fevereiro foi bastante menor que o visto ano passado e bem concentrados em segmentos “essenciais”, como de alimentos e combustíveis, o que reforça projeção do Sindilojas-SP que em 2026 são exatamente os segmentos de consumo não adiável que concentrarão melhores resultados.
Já no primeiro bimestre, período normalmente negativo exatamente pela conhecida sazonalidade já citada acima, o que preocupa é o avanço dessa retração, não somente em relação àquela vista ano passado, mas também por ser a mais aguda desde 2022. De certa forma, este resultado acumulado no ano, mesmo sendo preliminar, já nos possibilita sentir o termômetro que dificilmente atingiremos no acumulado dos próximos 10 meses do ano um saldo positivo próximo a 15 mil vagas, que seria necessário para compensar esta retração de mais de 5 mil postos já acumulados no primeiro bimestre e para que cheguemos no ano próximo de uma geração de 10 mil novos empregos, patamar registrado no acumulado do ano passado. A tendência é, sem dúvidas, ficarmos no positivo, mas com praticamente uma estabilidade do significativo mercado de trabalho do varejo da capital, hoje formado por mais de 600 mil vínculos em seu estoque.
Fatores
Os motivos para esta desaceleração do mercado de trabalho se dão pelos mesmos motivos que se projeta uma economia mais fraca este ano. Com preços, juros, endividamento e inadimplência elevados, a tendência é o consumo das famílias ter dificuldade para performar em 2026, atingindo diretamente segmentos como o varejo, seja em relação ao seu desempenho de vendas, seja, consequentemente, na sua confiança e potencialidade em gerar novos postos de trabalho.
Departamento de Economia e Tributação
Dentro de sua estrutura operacional, o Sindilojas-SP possui o Departamento de Economia e Tributação, objetivando levar ao empresário do comércio varejista um rol de informações relacionadas à conjuntura macroeconômica, imprimindo sobre estas as particularidades do setor do varejo.
O Sindilojas-SP leva em consideração o fato de que temáticas como obrigações fiscais, carga tributária e questões relativas à recente regulamentação da Reforma estarão permanentemente presentes no dia a dia dos empresários do comércio.
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