Inadimplência empresarial atinge recorde de 9,3 milhões de empresas
Levantamento da Serasa Experian aponta R$ 244,4 bilhões em dívidas, com micro e pequenas empresas concentrando a maior parte dos CNPJs negativados no Brasil.
O Brasil registrou, em agosto, um recorde de 9,3 milhões de empresas inadimplentes, alta de 14,3% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo levantamento da Serasa Experian. O cenário reflete, entre outros fatores, os efeitos dos juros elevados sobre o fluxo de caixa das empresas.
As dívidas somaram R$ 244,4 bilhões, distribuídas em 68,2 milhões de operações. Em média, cada empresa negativada acumulava 7,4 contas em atraso e um passivo de R$ 26,3 mil.
O setor de serviços concentrava 56% das empresas inadimplentes, seguido pelo comércio, com 32%. A indústria respondia por 8%, enquanto o setor primário representava 0,9%.
Micro e pequenas empresas são as mais afetadas
As micro e pequenas empresas somavam 8,8 milhões de CNPJs inadimplentes, com 61,4 milhões de dívidas que totalizavam R$ 211 bilhões. Cada empresa desse grupo acumulava, em média, sete contas negativadas e débitos de R$ 23,9 mil.
Apesar do avanço da inadimplência, a demanda por crédito das pessoas jurídicas cresceu 11,2% no acumulado de 12 meses, enquanto as concessões de capital de giro aumentaram 113,9%. Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, o movimento está mais relacionado à necessidade de financiar o caixa e manter as operações do que à redução do endividamento ou à expansão dos negócios.
Sudeste concentra maior número de empresas inadimplentes
O Sudeste lidera em número de empresas negativadas. São Paulo aparece na primeira posição, com 3,2 milhões de CNPJs, seguido por Minas Gerais, com 927,4 mil, e Rio de Janeiro, com 879,9 mil. Paraná e Rio Grande do Sul registraram, respectivamente, 613 mil e 539,3 mil empresas inadimplentes.
Na origem das dívidas, os serviços respondem por 31,7% do total, seguidos por bancos e cartões, com 19,7%. Cooperativas representam 8,5%, serviços básicos, 6,7%, e telefonia, 6,2%. Ao todo, 75,6% do passivo negativado tem origem em setores não financeiros.
Segundo a Serasa Experian, embora o crescimento anual da inadimplência tenha desacelerado de 28,7% para 14,3%, o indicador permanece em dois dígitos. O crédito caro e a pressão sobre o caixa continuam entre os principais desafios para a sustentabilidade dos negócios, especialmente os de menor porte.
Fonte: Serasa Experian / Estadão Conteúdo.
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