Notícias do Departamento de Economia e Tributação

Juro recorde exige cautela do varejo com caixa e capital de giro

9 de setembro de 2026

Divulgação recente do Banco Central mostra que o juro médio do crédito às empresas com recursos livres atingiu em julho 25,36% ao ano no Brasil, o maior nível desde julho de 2017. O crédito com recursos livres é o dinheiro emprestado pelos bancos onde as taxas de juros e o uso do valor são definidos livremente pelo mercado, isto é, é o “crédito comum de mercado” onde o banco decide para quem empresta e quanto cobra.

Este recente patamar supera em cerca de 1 ponto percentual a taxa média registrada em junho e fica 0,34 ponto percentual acima de julho do ano passado. Também é mais que o dobro do menor valor da série, atingido em setembro de 2020 (11,45% ao ano).

Evolução da taxa média anual de juros das operações de crédito com recursos livres no Brasil – Pessoas Jurídicas (%)

Fonte: BCB / Elaboração: Sindilojas-SP

Chama-nos atenção que, de junho para julho de 2026, os maiores aumentos dentre as principais modalidades de crédito empresarial foram das seguintes linhas:

Cartão de crédito rotativo: 146,06% ao ano para 230,36% ao ano (+84,3 p.p.)

Cheque especial: 352,45% ao ano para 356,05% ao ano (+3,60 p.p.)

Capital de giro com prazo superior a 365 dias: 21,58% ao ano para 23,55% ao ano (+1,97 p.p.)

Por outro lado, a antecipação de faturas de cartão de crédito viu o seu juro médio anual passar de 16,75% para 16,25%, redução de 0,50 ponto percentual, e a conta garantida passou de 61,62% para 57,38%, recuo de 4,24 pontos percentuais.

Análise econômica

O avanço do custo do crédito para as empresas mantém o sinal de alerta justamente em um período estratégico para o varejo. Embora a Selic esteja em trajetória de queda, esse movimento não se transfere automaticamente para as taxas praticadas pelos bancos na ponta: em julho, o juro médio do crédito com recursos livres para pessoas jurídicas chegou a 25,36% ao ano, o maior nível desde julho de 2017. Em paralelo, a inadimplência das empresas nessa modalidade alcançou 4,19%, maior patamar desde maio de 2018, o que ajuda a explicar uma postura mais seletiva das instituições financeiras.

Para o varejista, a recomendação é entrar no período sazonal de maior movimento do ano, que inclui a atual mudança de estação e, na sequência, datas importantes para o comércio, com planejamento financeiro reforçado. Antes de ampliar estoques, vale projetar o fluxo de caixa semanal, revisar o prazo médio de pagamento aos fornecedores, acelerar o giro de produtos parados, evitar estoques excessivos e preservar uma reserva mínima de liquidez. O objetivo é fazer com que o crescimento das vendas seja financiado, tanto quanto possível, pelo próprio ciclo operacional da empresa, e não por crédito bancário caro.

Estratégia vital

A atenção deve ser redobrada porque o problema não termina no balanço da empresa: ele também chega ao consumidor. Em julho, a taxa média do crédito livre às pessoas físicas ficou em cerca de 60% ao ano, maior nível para o mês também em 9 anos, encarecendo o financiamento das compras e reduzindo a capacidade de consumo das famílias. Isso significa que o varejista precisa considerar não apenas quanto custa tomar crédito para financiar seu estoque ou capital de giro, mas também o quanto os seus clientes têm condições de financiar as próprias compras. Nesse ambiente, aproveitar o tradicional aquecimento de vendas no fim de ano para reforçar o caixa, acelerar o giro dos estoques e reduzir a dependência de capital de terceiros deixa de ser apenas uma boa prática de gestão e passa a ser uma estratégia vital de proteção financeira.

Departamento de Economia e Tributação

Dentro de sua estrutura operacional, o Sindilojas-SP possui o Departamento de Economia e Tributação, objetivando levar ao empresário do comércio varejista um rol de informações relacionadas à conjuntura macroeconômica, imprimindo sobre estas as particularidades do setor do varejo.

O Sindilojas-SP leva em consideração o fato de que temáticas como obrigações fiscais, carga tributária e questões relativas à recente regulamentação da Reforma estarão permanentemente presentes no dia a dia dos empresários do comércio.

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