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Posted on 05/04/16 in Palavra do Presidente, Representatividade

Ruy Nazarian fala dos impactos da corrupção sobre um país

 

A corrupção é, sem dúvida, um dos maiores cânceres sociais de todos os tempos. Ela não apenas desestabiliza os pilares da democracia, como também afronta os valores éticos que alicerçam a civilidade social e interfere de forma bastante drástica no, em tese, natural desenvolvimento/avanço da economia local. Tamanho é o estrago que ela é capaz de fazer a uma nação que até mesmo a capacidade competitiva da mesma é fragilizada.

Vou embasar este meu discurso com o exemplo da denominada Operação Mãos Limpas, ocorrida na Itália há algum tempo. É interessante olharmos para o que aconteceu com a economia italiana após as investigações sobre esse vergonhoso episódio daquele país.

Apesar de o trabalho investigativo haver seguido os melhores padrões técnicos pela Procuradoria de Milão, o sistema político italiano, profundamente abalado com os crimes de corrupção orquestrados, principalmente, pela controversa figura de Silvio Berlusconi – este envolvido com incontáveis processos na época – conseguiu instituir algumas alterações na legislação italiana em vigor na época que, praticamente, abriu espaço para a corrupção correr livre e imune entre a casta parlamentar do país durante estas últimas duas décadas.

Consegue estabelecer a ponte entre este exemplo e a atual situação sócio-política no Brasil?

Exemplos de como governos deturpam seus alicerces legais e éticos, a fim de se safarem de acusações explícitas e factuais não nos faltam globo afora. A corrupção existe desde tempos imemoriais e não é uma exclusividade brasileira, tal como o inconformismo imediato muitas vezes nos incita a deduzir.

Penso que nos é muito importante olhar para alguns exemplos de episódios similares envolvendo a corrupção em outros países para criarmos não apenas um senso de consciência maior sobre os problemas que ora enfrentamos, mas também para estruturarmos com mais propriedade alternativas para não cairmos no mesmo tipo de armadilha.

Sair às ruas para externar nossa evidente indignação com tudo o que vem ocorrendo é importante. Isso realmente faz diferença neste peculiar momento histórico do nosso país. Contudo, estabelecer consciência e, principalmente, CRITÉRIO para indicar potenciais soluções, mesmo que espelhadas nas que surgiram para os italianos após o famigerado golpe do seu Governo no episódio ‘Mãos Limpas’, é tão importante quanto – se não mais.

A corrupção no nosso atual governo é fato. Já estamos expressando de todas as formas possíveis a nossa indignação com tudo o que vem ocorrendo. Cabe-nos agora também demonstrar, além do inconformismo, a nossa consciência crítica voltada para potenciais soluções no futuro.

Temos, sim, de dar continuidade a todo esse processo de nos mostrarmos reivindicantes dos nossos direitos, mas também precisamos, de uma vez por todas, aprimorar o nosso senso crítico e devidamente capaz de integrar um plano maior de solução para o país. Outros países conseguiram se reerguer após episódios similares. Por que não o Brasil?

Juntos, somos mais.

Ruy Pedro de Moraes Nazarian
Presidente do Sindilojas-SP